Na metade, competição de Berlim só tem dois filmes que se salvam

Longas iraniano e húngaro são os únicos dignos de nota dos dez já exibidos

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

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"Jodaeiye Nader az Simin": longa-metragem iraniano é um dos poucos merecedores do prêmio em Berlim
Passada a primeira metade do  Festival de Berlim 2011 , pode-se dizer que o evento corre como o esperado – e essa não é uma boa notícia. Com apenas 16 filmes na competição (contra 20 no ano passado), era de se supor que os organizadores tenham enfrentado certa dificuldade para compor a lista dos concorrentes.

Dos dez filmes apresentados até agora para a imprensa, são poucos os dignos de nota. E em menor número ainda estão aqueles que realmente podem ser considerados bons, não importando as comparações – em festivais, elas são inevitáveis, porque se trata de um universo fechado de obras.

A grande maioria são filmes irrelevantes, o pior tipo de crítica que se pode fazer durante um festival como este. Os que se salvam é por conta da comparação e de detalhes. “Margin Call” , de J.C. Chandor, humaniza os banqueiros, mostra o começo da crise econômica por dentro, tem um elenco invejável, mas vai permanecer por sua longa sequência inicial, com a demissão em massa e a forma como as corporações lidam com esse tipo de coisa. Depois vira um filme apenas competente.

Les Contes de la Nuit ”, de Michel Ocelot, é adorável, mas uma competição como esta não parece ser o local mais adequado para exibi-lo. “ V Subbotu ” tem muita energia, alguma ambição estética, só que poderia evoluir melhor.

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A animação "Les Contes de la Nuit": bonita, mas sem peso para estar na briga pelo Urso de Ouro
Os únicos longas-metragens realmente merecedores de prêmios, até agora, são o iraniano “Jodaeiye Nader az Simin” ("Nader e Simin, uma Separação", em tradução livre) e o húngaro “A Torinói Ló” ("O Cavalo de Turim"), de Béla Tarr - dois filmes bem diferentes.

O primeiro é um drama complexo, de vários personagens, pegada realista como é marca do cinema do Irã, que aborda aspectos sociais, políticos, religiosos e contrapõe tradição e modernidade – dilema que o país atravessa. É daquele tipo de filme difícil de não gostar e tem ainda mais chances em Berlim por conta de vir de um país que é o assunto do momento, por conta da ausência de Jafar Panahi do júri. O segundo tem sua força no rigor estético, na construção precisa, apesar de ser muito exigente com o espectador, que precisa de paciência para ver 146 minutos com dois personagens que mal falam, o cenário imutável e os movimentos repetitivos de um cotidiano duro.

Se as coisas não melhorarem daqui para a frente, o júri presidido por Isabella Rossellini vai ter problemas para distribuir os oito troféus que estão no programa.

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