Michel Ocelot encanta com ¿Les Contes de la Nuit¿

Animação em 3D acompanha dois atores e um diretor que decidem que histórias contar num antigo cinema

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena de ¿Les Contes de la Nuit¿, de Michel Ocelot
Começou delicioso esse quarto dia da competição do 61º Festival de Berlim, com “Les Contes de la Nuit”, animação de Michel Ocelot que abriu o domingo do 3D no evento – mais tarde, serão exibidos, fora de competição, os documentários “Pina”, de Wim Wenders, e “Cave of Forgotten Dreams”, de Werner Herzog.

Como nos outros desenhos do diretor francês, este também viaja a culturas diferentes e usa técnica de silhuetas. A estrutura dramática é muito básica: dois atores e um diretor decidem que histórias contar num antigo cinema. Feiticeiros, princesas, rapazes valentes, moças malvadas, reis severos são os personagens.

Por exemplo, um garoto caribenho vai parar no mundo dos mortos e precisa passar por provas para conseguir casar com a princesa. Uma moça vê o amado casar-se, enganado, com sua irmã malvada, que o deixa se transformar para sempre em lobisomem. Um rapaz tenta salvar uma garota e toda uma cidade asteca feita de ouro, libertando-a de seu opressor. O menino do tambor é desacreditado na vila africana onde mora até seu talento ser descoberto e ele conseguir ajudar a todos com o tambor mágico.

São histórias encantadoras, que tratam de temas como tolerância e importância do caráter, sem parecer uma aula. A animação é linda, colorida e perfeita para agradar a crianças e adultos. O 3D, na verdade, serve mais para dar profundidade de campo do que causar efeitos. As chances de um filme como este numa competição, no entanto, são duvidosas.

Na coletiva que se seguiu à exibição, Michel Ocelot disse que quis experimentar com o 3D. “Meu estilo tradicional aconteceu porque não tinha dinheiro. Me diverti muito com o 3D. Se vai durar? Num sentido, é muito arcaico, por causa dos óculos. Há muito desenvolvimento aí para fazer”, afirmou. Mas ele disse que a técnica não é o mais importante. “É só mais uma ferramenta. É interessante ter outras ferramentas, mas, como o menino do tambor do filme, não é o tambor que é mágico, são suas mãos.”

Ocelot disse que os contos de fada de qualquer parte do mundo são sua linguagem. “Gosto de nadar alegremente neles, pego alguns pedaços, me alimento, fico forte e aí conto minhas próprias histórias”, afirmou. Normalmente, os contos de fada têm perspectivas masculinas, mas o cineasta afirmou ter tentado ser igualitário em termos de gênero. “Se eu privilegiei os homens como heróis, fico horrorizado, devo confessar.”

Indagado se tentava, com seus filmes, manter-se conectado com sua juventude, ele brincou: “Não estou tentando trazer de volta minha juventude, sou muito jovem. Tenho todas as minhas idades dentro de mim, posso trazer qualquer uma à tona. Tento me divertir e divertir você, só isso”.

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