¿Margin Call¿ destrincha crise financeira por dentro

Primeiro filme da competição em Berlim tem Kevin Spacey e Jeremy Irons no elenco

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Kevin Spacey, chefe de corporação financeira em "Margin Call", do estreante J.C. Chandor
Em “Margin Call”, o estreante em longas-metragens J.C. Chandor leva o espectador para dentro de um banco de investimentos à beira do colapso, nos primeiros dias da grande crise de 2008. O primeiro filme da competição do Festival de Berlim 2011 foi exibido na manhã desta sexta-feira (11) e conta com um elenco poderoso – formado por Kevin Spacey, Jeremy Irons, Stanley Tucci, Paul Bettany, Demi Moore, além de Zachary Quinto, também produtor do filme, Simon Baker (do seriado “The Mentalist) e Penn Badgley (do seriado “Gossip Girl”).

A primeira cena é a de uma demissão em massa no banco, em que uma das vítimas é Eric Dale (Stanley Tucci), especialista em gerência de risco. Ele avisa: está no meio de algo importante. Mas, com “sentimos muito, realmente apreciamos sua preocupação”, ele é dispensado. Antes, entrega a um de seus pupilos, o jovem Peter Sullivan (Zachary Quinto, de “Star Trek” e do seriado “Heroes”), um pen drive com o trabalho que estava desenvolvendo. Gênio dos números, ele logo descobre que os balanços da empresa não vão nada bem – esse é o jeito mais fácil de resumir a complicada equação, um desafio para o público leigo. Mas o longa faz questão de deixar claro que nem o presidente John Tuld (Jeremy Irons) nem o chefe da divisão Sam Rogers (Kevin Spacey) compreendem tudo.

Mesclando drama com thriller, “Margin Call” mostra a noite após a descoberta, quando uma reunião de emergência decide o que a empresa vai fazer. A solução desconsidera o mercado inteiro para que o banco tente salvar a própria pele. Chandor é bastante habilidoso em demonstrar a dependência do dinheiro, tanto dos brokers, que ganham milhões em um ano, insuficiente para manter seu padrão de vida elevado demais, quanto da sociedade americana como um todo, o que causou a crise de 2008, afetando o mundo inteiro.

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Paul Bettany, Jeremy Irons, Kevin Spacey e Zachary Quinto, produtor de "Margin Call"
Os funcionários dedicam-se exclusivamente ao trabalho, com pouco contato com a família ou inexistência de uma, no caso da única mulher no alto escalão, Sarah Robertson (Demi Moore, que, com recursos limitados, destoa do resto do elenco). O filme procura colocar faces humanas por trás da crise, discutindo se é culpa exclusiva dos banqueiros gananciosos toda a crise em que os Estados Unidos afundaram ou da sociedade que se estruturou em cima disso.

Na entrevista coletiva que se seguiu à exibição para a imprensa, compareceram o produtor Neal Dodsen, o produtor e ator Zachary Quinto, o diretor J.C. Chandor e os atores Paul Bettany, Kevin Spacey e Jeremy Irons. Quinto falou sobre seu primeiro filme como produtor. “Comecei uma companhia alguns anos atrás com meu amigo de faculdade Neal Dodsen. Esse projeto foi desenvolvido de forma muito orgânica. J.C. tinha escrito o roteiro, lemos e no dia seguinte decidimos que seria nosso primeiro projeto. É uma grande honra para nós como produtores estreantes estar aqui em Berlim”, disse Quinto.

Para o diretor J.C. Chandor, a ganância dos banqueiros não foi a razão única para a crise. “Não foi a ganância individual dessas pessoas, mas da população geral do país. Quando a cultura toda é baseada nisso, você tem uma falha sistêmica. O meu sentimento é que não importa o tempo, você vai ter banqueiros gananciosos, mas como país ou sociedade isso ganha proporções catastróficas”, disse o diretor.

Jeremy Irons afirmou que a indústria global, os bancos, são imorais. “Você tem de fazer o melhor que pode por sua companhia. O problema para mim é que o mundo precisa de moralidade”, disse. “É um problema se você só é um país bem-sucedido se cresce 2,5% ao ano. Temos recursos limitados e precisamos achar um jeito de dividi-los.”

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