Iraniano vira primeiro favorito ao Urso de Ouro

"Jodaeiye Nader az Simin" aborda clima político no Irã em drama complexo

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

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O iraniano "Nader and Simin, a Separation", arrancou aplausos na sessão de imprensa em Berlim
Finalmente, aplausos. “Jodaeiye Nader az Simin” (Nader e Simin, uma separação, na tradução livre), do iraniano Asghar Farhadi, apresentado na manhã desta terça-feira (15) para os jornalistas dentro da competição do Festival de Berlim 2011 , foi muito bem recebido pela imprensa. Não é para menos: o filme é o primeiro sério concorrente ao Urso de Ouro.

“Jodaeiye Nader az Simin” é um drama complexo, com múltiplos pontos de vista, em que é impossível tirar uma conclusão definitiva – o diretor não impõe sua visão ao espectador. O longa-metragem começa com Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moadi) na frente do juiz. Ela quer se separar porque deseja deixar o país para dar uma vida melhor à filha, Termeh (Sarina Farhadi). O pai dele tem Mal de Alzheimer, por isso Nader não quer sair do Irã. Quando o juiz questiona por que ela acha que a filha pode ter uma vida melhor em outro país sem o pai, Simin responde: “por causa das circunstâncias”. É um bom exemplo de como o diretor trata as questões, políticas, religiosas, sociais ou familiares: com sutileza, mas dizendo muito.

Quando Simin sai de casa, Nader contrata Razieh (Sareh Bayat) para cuidar de seu pai. Grávida e com uma filha pequena, logo no primeiro dia ela acha que não consegue fazer o serviço, pois é religiosa e teria de dar banho e trocar seu doente, algo que não é permitido – um homem não pode tocar uma mulher, e vice-versa. As famílias têm origens diferentes: Simin, Nader e Termeh são de classe média e não religiosos, e a família de Razieh é mais pobre – o marido está sem emprego há meses – e bem religiosa, a ponto de ligar para perguntar o que é pecado ou não.

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Leila Hatami, o diretor Asghar Fashadi e as atrizes Sarina Fashadi e Sareh Bayat posam para imprensa
Um dia, Nader chega em casa e seu pai está amarrado à cama, sem que Razieh esteja. Quando a empregada volta, ele a demite e acaba, para colocá-la fora de casa, empurrando-a. Ela perde o bebê e o acusa. A partir daí começa a luta de Nader para provar sua inocência. O filme fica complexo, porque, em última instância, todos têm suas razões. Até quem mente ou esconde a verdade tem seus motivos muito claros – e justos. É impressionante que o cineasta tenha conseguido dar conta de tanto, sem abdicar da política, do retrato de uma sociedade tão mal interpretada e, principalmente, da emoção.

Na coletiva, mais aplausos – mais até do que nas entrevistas com grandes astros. O diretor explicou por que escolheu não dar razão a ninguém e dar a todos. “Acho que é uma continuação de meus outros filmes. Para mim, tanto em termos da natureza humano e da sociedade, tudo depende de seu ponto de vista.” Ele também falou sobre o final aberto. “Este é similar aos meus outros filmes, o público já sabe como eles terminam. O final do filme não precisa ser o fim de algo, pode ser o começo de questionamentos. O público pode levar a história com ele.”

Farhadi também comentou sobre as homenagens a Jafar Panahi, membro oficial do júri que, por estar preso no Irã, não teve autorização para comparecer ao festival . “Eu sinto muito pelo que aconteceu, acho que nenhum diretor no mundo todo não sentiu tristeza por esse situação”, disse. “Vocês o conhecem por meio de seus filmes, eu o conheço pessoalmente, estou muito triste. Antes de vir para cá, eu disse adeus a ele e estava muito triste, porque estava indo para um lugar aonde ele não poderia ir.”

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