Filme alemão sobre a África peca pela frieza

Longa "Schlafkrankheit" aborda a questão da ajuda humanitária no continente

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena do filme "Schlafkrankheit"
O relacionamento conflituoso da Europa com a África continua inspirando os cineastas europeus. Desta vez, é o alemão Ulrich Köhler que se debruça sobre o assunto, na coprodução Alemanha-França-Holanda "Schlafkrankheit" ("Doença do Sono" na tradução livre). O filme foi exibido na manhã deste sábado dentro da competição do 61o Festival de Berlim.


Logo no início, o médico Ebbo Velten (Pierre Bokma) se prepara para voltar para sempre para a Alemanha, depois de passar algum tempo na África, mais precisamente em Camarões, onde ele atua na erradicação de uma epidemia – que, na verdade, parece estar completamente controlada.

O problema é que Ebbo está fascinado pela África. Anos depois, o médico francês Alex Nzila (Jean-Christophe Folly) vai ao continente de seus ancestrais, com o qual não tem nenhuma relação. Em ambos os casos, são personagens perdidos pela distância de suas origens.

O filme critica o pensamento de que apenas dinheiro de ajuda humanitária resolveria todos os problemas africanos e tenta apontar para a complexidade da questão. Os europeus, apesar de estarem lá para ajudar, acabam participando de um esquema que reproduz as relações de dominação antigas, só que de outra forma. O problema é que o diretor falha em tornar seus personagens mais interessantes – principalmente Nzila, mal explorado – e faz um filme frio.

Em seguida à exibição, aconteceu a coletiva de imprensa, com a presença da produtora Janina Jackowski, do diretor Ulrich Köhler e dos atores Hippolyte Girardot, Jean-Christophe Folly, Pierre Bokma e Jenny Schily.

Köhler contou que morou no Congo entre 1974 e 1979 – seus pais faziam parte de um programa de ajuda humanitária e trabalharam inclusive no mesmo hospital em Camarões mostrado no longa. “Conheço o assunto de que estou falando”, disse.

O cineasta disse que não concorda com um personagem que defende o mercado livre como solução para a África. “Mas a ajuda econômica não é um método eficiente. Há um grau de ingenuidade nesse pensamento, como Bob Geldof, que acha que, se você der muito dinheiro, os problemas serão resolvidos. Não acredito nisso.”

Ele ainda afirmou que nunca tentou maquiar o fato de ser um filme feito por um europeu, de uma perspectiva eurocêntrica – apesar de ter uma visão muitas vezes crítica sobre o papel das pessoas do continente na África.

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