Festival de Berlim 2012

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Filme mostra atrocidades do filho de Saddam

“O Iraque está acabado”, afirma dublê de Uday Hussein no Festival de Berlim

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim | 11/02/2011 16:05

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Foto: Getty Images

O ator Dominic Cooper, a francesa Ludivine Sagnier e Latif Yahia, cujo livro inspirou "The Devil's Double"

A história de Latif Yahia dava mesmo um filme. Ele foi contratado à força como dublê de um dos filhos de Saddam Hussein, o irresponsável e sanguinário Uday. Viu as maiores crueldades cometidas pelo herdeiro, como escolher meninas de colégio na rua e estuprá-las. O que ele viveu virou “The Devil’s Double”, dirigido por Lee Tamahori e apresentado dentro da seção Panorama do Festival de Berlim 2011.

É uma pena, mas a produção não dá conta da complexidade e do drama da história, por ter apostado numa estrutura de filme de gângster – com a qualidade de um filme para televisão. Latif é recrutado por Uday (ambos são interpretados por Dominic Cooper) para driblar seus prováveis inimigos, fazendo-se passar por ele algumas vezes. Latif se envolve com uma de suas amantes (interpretada por Ludivine Sagnier) e fica enojado com todas as atrocidades cometidas pelo filho de Saddam.

Com o tempo, acaba por desafiá-lo, arriscando sua vida. “The Devil’s Double” amontoa casos de atrocidade cometidos por Uday, sem se aprofundar muito na psicologia de nenhum dos personagens. Os diálogos muitas vezes fazem rir, e a sensação é de mais uma boa história desperdiçada pelo cinema.

Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição na tarde desta sexta-feira (11), compareceram o roteirista Michael Thomas, parte do elenco e o próprio personagem, Latif Yahia. Dominic Cooper contou que havia a preocupação de ser correto, mas também demonstrar que era um filme de personagens. “Os personagens ganharam uma dimensão menos realista, mais artística, numa visão agitada do pesadelo”, disse o ator.

Yahia confirmou, no entanto, que o que está no filme realmente aconteceu. Após deixar o Iraque, ele foi perseguido pelo mundo. “Atiraram em mim em Londres, fui esfaqueado na Noruega, havia uma bomba no meu carro em Viena. Mas eu nunca deixei de lutar contra o regime de Saddam Hussein”, afirmou. Com a queda do ditador, ele disse que está liberado por muitos serviços de inteligência do mundo. Mas que não pensa em voltar ao Iraque.

“O país está acabado. Disse para minha mulher que não quero voltar para lá nem depois de morto. Os iraquianos estão mudados, é um país governado por gente sem educação, é uma parte do Irã. Antes, tínhamos cultura, segurança, economia boa. Depois da ‘libertação’ promovida por Bush, 4 milhões de pessoas deixaram o país, 1,5 milhão foram mortas, 145 pessoas da minha família morreram. Por que vou voltar para lá?”, disse.
 

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