Festival de Berlim: Conflito no Congo é fio condutor de 'Rebelle'

Canadense Kim Nguyen mescla cenas de horror com imagens delicadas

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena de 'Rebelle'
A competição do Festival de Berlim 2012 terminou na mesma chave realista que a dominou. O último concorrente, “Rebelle”, do canadense Kim Nguyen, exibido na manhã desta sexta-feira (17) em sessão para jornalistas, trata de uma garota-soldado na República Democrática do Congo.

Komona (Rachel Mwanza) é forçada a assassinar seus pais e raptada de sua vila para lutar pelos rebeldes do Grande Tigre. No grupo, há outros garotos como a protagonista, inclusive o Mágico (Serge Kanyinda), que se apaixona por ela.

A violência cresce com combates frequentes com os militares. Capaz de prever a presença dos inimigos – que enxerga em visões de fantasmas –, a menina começa a ser chamada de bruxa da guerra.

Nguyen mescla as cenas de horror, que piora com o tempo, com outras delicadas da relação da quieta Komona com o albino Mágico. O filme é tocante, apesar de abusar da narrativa em off, que antecipa a ação vista a seguir.

Na coletiva de imprensa após a exibição, Kim Nguyen falou por que se interessou sobre um tema tão distante de sua cultura – ele nasceu em Montreal, mas seu pai é vietnamita.

“Levei dez anos para fazer porque precisei desse tempo para aceitar e aprender. Diz-se muito que você precisa falar do que sabe, mas eu me identificava com a dureza dessa vida. Acho que, mais do que falar do que você sabe, precisa falar do que sente.” Ele acha difícil, no entanto, fazer um filme sobre o Vietnã. “A dicotomia dos conflitos torna difícil fazer algo tridimensional.”

A atriz Rachel Mwanza comentou sobre os paralelos entre sua vida e a da personagem. Quando seus pais se separaram, ela e seus irmãos foram morar com a avó. “Ela estava desempregada, não conseguia nos sustentar. Então pediu para os mais velhos saírem de casa”, diz. “Comecei a vender frutas secas na rua e fiquei vivendo na rua.”

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Um dia, seu irmão, chamado Che Guevara, disse que um homem branco que conhecia estava fazendo um documentário. “Dei o dinheiro para minha avó para eu poder ir à escola, mas ela gastou tudo.”

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Rachel acabou topando com a produção de “Rebelle” e conseguiu o papel principal. “É uma espécie de milagre o fato de ter feito o primeiro filme. Tenho o orgulho de dizer que eu sei ler. Foi uma oportunidade única trabalhar no filme, queria expressar minha gratidão cujos corações me permitiram essa chance. As pessoas ao meu lado aqui nesta mesa são minha família agora.”

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