Festival de Berlim chega ao fim sem favoritos claros

Grande quantidade de protagonistas femininas surpreendeu na competição

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

O cenário do Festival de Berlim 2012 não se alterou muito da metade para o final. Foi mesmo uma competição de 16 filmes bons, que não chegaram a causar palpitações, e dois sofríveis, o espanhol “Dictado” , de Antonio Chavarrías, e a coprodução Alemanha-Noruega “Gnade” , de Matthias Glasner.

Algumas temáticas se repetiram, como é comum nos festivais. Houve a cota de dramas históricos que fazem relação com o presente, como “Bai Lu Yuan” , de Wang Quan’an, “En Kongelig Affære” , de Nicolaj Arcel, e “Les Adieux à la Reine” , de Benoît Jacquot.

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Cena de 'Bai Lu Yuan'

Outros tantos falaram de família – e desentendimentos em meio a reuniões familiares –, como “Csak à Szél” , de Bence Fliegauf, “Jayne Mansfield’s Car” , de Billy Bob Thornton, “L’Enfant d’en Haut” , de Ursula Meier, e “Was Bleibt” , de Hans-Christian Schmid.

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O longa-metragem português "Tabu", de Miguel Gomes, coproduzido com o Brasil
Também se fizeram presentes as histórias de amor, por exemplo, “Barbara” , de Christian Petzold, “Metéora” , de Spiros Stathoulopoulos, “Tabu” , de Miguel Gomes, e os citados “En Kongelig Affære” e “Les Adieux à la Reine”.

Os temas urgentes também surgiram em “Captive” , de Brillante Mendoza, “Aujourd’hui” , de Alain Gomis, “Cesare Deve Morire” , dos irmãos Taviani, “Rebelle” , de Kim Nguyen, “Csak à Szél”, “L’Enfant d’en Haut”. O registro realista foi dominante.

O que surpreendeu foi a grande quantidade de protagonistas femininas, pelo menos tão importantes quanto os homens. À exceção de “Aujourd’hui”, “Cesare Deve Morire”, “Jayne Mansfield’s Car”, “Was Bleibt” e “L’Enfant d’en Haut”, todos têm mulheres no papel principal.

Quanto aos favoritos, até pelo nível equilibrado da competição, fica difícil de prever. O presidente do júri, Mike Leigh , é afeito aos dramas familiares realistas, com alguns toques políticos.

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Ronald Zehrfeld e Nina Hoss em "Barbara"
Talvez produções mais poéticas como “Tabu”, de Miguel Gomes, tenham mais dificuldades de emocioná-lo. Sendo assim, “Cesare Deve Morire” pode agradar com sua pegada realista e política.

São, sem dúvida, os dois melhores longas do festival, inclusive na ousadia da forma – o primeiro, mais onírico, o segundo, fazendo paralelo da realidade dos presos com a peça de William Shakespeare. “Barbara”, “Aujourd’hui” e “Rebelle” também podem entrar no páreo de alguns prêmios.

Entre as atrizes, as principais candidatas são Nina Hoss (“Barbara”) e Rachel Mwanza (“Rebelle”). Entre os atores, difícil ignorar o trabalho quase silencioso de Saul Williams em “Aujourd’hui”, do elenco masculino de “Jayne Mansfield’s Car”, formado por Billy Bob Thornton, Robert Duvall, John Hurt e Kevin Bacon, ou o adorável Simon (Kacey Mottet Klein) de “L’Enfant d’en Haut”.

Mas tem toda a pinta de um prêmio para o elenco masculino, quase todo encarcerado, de “Cesare Deve Morire”. A cerimônia de premiação acontece na noite do sábado (18).

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