Favoritos ao Oscar 2011 tentam, mas não escondem expectativa

Em Berlim, atores e diretor de 'O Discurso do Rei' falam sobre como retrataram a gagueira do personagem principal no filme

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

AP
O cineasta Tom Hooper, Helena Bonham Carter e Colin Firth posam para os fotógrafos em Berlim
Pode-se dizer que a passagem de Colin Firth, Helena Bonham-Carter e Tom Hooper pelo Festival de Berlim 2011 foi como um relâmpago. Os três participaram da rapidíssima coletiva de imprensa na noite desta quarta-feira (16), seguida pela sessão especial de “O Discurso do Rei”, favoritíssimo ao Oscar 2011 com 12 indicações ( veja o infográfico dos indicados ao Oscar ).

Foi só na última pergunta, aliás, que o assunto foi abordado. “É maravilhoso fazer parte da tradição da Academia, não importa o resultado da noite. Mas não posso fingir que não pensei nessa possibilidade”, disse o diretor Tom Hooper. Colin Firth acrescentou: “A mesma coisa para mim”. E Helena Bonham-Carter disse: “Idem”.

“O Discurso do Rei”, em cartaz no Brasil, fala da luta do rei George 6º para superar uma gagueira e assumir o trono depois da abdicação de seu irmão. Os dois atores disseram que sua visão sobre a realeza mudou um pouco depois do filme. “Sempre tive respeito por eles como indivíduos. Claro que mudou, porque aprendi mais coisas”, afirmou Bonham-Carter.

Colin Firth contou que nunca tinha pensado tanto neles. “Meu conhecimento era o de uma silhueta e agora é o de um homem completo. Passei a ter muito respeito por ele. Acho que suas qualidades, que eu admiro, foram mantidas pela próxima geração”, afirmou o ator.

Indagado sobre como se preparou para interpretar um gago, Firth desconversou: “Não sei como eu fiz. Tom, você pode me ajudar? O que eu fiz?”. O diretor veio em seu socorro: “Não passamos muito tempo do ensaio preocupados com a gagueira. Vi um documentário sobre isso, conversamos com o escritor, que era gago. Infelizmente, não é possível encontrar fonoaudiólogos que ensinem a ser gago”.

Firth, então, disse que sabia que estava sozinho, que ninguém poderia treiná-lo. “Foi muito útil conversar com o autor do livro, que era gago quando criança. Ele descreveu como uma sensação de afogamento. Eu sabia que não ia funcionar se não fosse uma pessoa vulnerável, que se visse sua luta consigo mesmo. Este homem tinha uma luta de boxe acontecendo dentro de seu corpo”, afirmou.

O ator disse que ficou com medo quando teve de falar da infância do personagem. “Tinha medo de cair no sentimentalismo, na auto-piedade”, afirmou. Depois do filme, não ficou no personagem. “Meu discurso ficou ainda mais truncado do que antes. Mas isso não é gagueira, é hábito”, disse, em tom de brincadeira.

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