Estreia de Ralph Fiennes na direção é desconjuntada

Ator adiciona elementos modernos a "Coriolanus", peça de Shakespeare

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Ralph Fiennes dirige e estrela "Coriolanus": como diretor, um ótimo ator
Que Ralph Fiennes é bom ator, pouca gente duvida. Como todo ator, principalmente os britânicos, ele é fã de William Shakespeare. Em sua primeira experiência atrás das câmeras, resolveu adaptar uma peça do dramaturgo, escrita em 1607. “Coriolanus” foi exibido no início da tarde desta segunda-feira (14) para jornalistas, dentro da competição do Festival de Berlim 2011 . Houve alguns aplausos tímidos ao final.

Fiennes interpreta Caius Martius, um general bastante competente, mas esquentado, que não esconde seu desprezo pelo povo e fala o que vem à cabeça. Ele ganha o nome Coriolanus depois de derrotar o arquiinimigo Tullus Aufidius (Gerard Butler), numa batalha em Corioles. A vitória permite que Coriolanus entre na política, mas um discurso desastrado coloca tudo a perder.

O diretor resolveu transportar a peça que se passa na época dos romanos para os dias de hoje. Mas ele não faz exatamente uma adaptação, mantendo o difícil texto original, a ação em Roma e adicionando elementos modernos – os figurinos, as imagens vistas na televisão, os celulares que gravam tudo, sem, no entanto, integrá-los realmente à dramaturgia. O resultado é estranho, não faz sentido. A câmera desloca-se muitas vezes de forma atabalhoada, e no fim “Coriolanus” vira mais um veículo para o próprio ator.

Reuters
Vanessa Redgrave, Gerard Butler, Ralph Fiennes e Jessica Chastain na capital alemã
A sala de coletivas ficou lotada para a entrevista com Ralph Fiennes, o roteirista John Logan e os atores Vanessa Redgrave, Gerard Butler e Jessica Chastain. Fiennes, que interpretou o personagem no teatro em Londres dez anos atrás, disse que desenvolveu uma obsessão pela peça e pelo personagem. “Deixei aquela produção com o instinto que poderia ser um filme forte e contemporâneo”, afirmou. Fatos da última década deram a ele a certeza de que o mundo moderno seria o cenário ideal. “Mesmo antes do 11 de Setembro, e certamente depois, via nos jornais cenas que pareciam saídas da peça, da guerra da Chechênia, das revoltas em Paris, em Atenas, da crise econômica.”

Butler contou que ficou extasiado por trabalhar com Fiennes, a quem chamou de “meu herói”. “Trabalhar com o homem foi uma experiência incrível. Dizia: ‘Manda ver’, sabendo que eu ia aprender muito. É incrível trabalhar com ele.”

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