"Esperamos que ele venha", diz Isabella Rossellini sobre Panahi

Cineasta iraniano domina coletiva do júri do 61ª edição do Festival de Berlim

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

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O júri: Jan Chapman, Sandy Powell, Guy Maddin, Isabella Rossellini, Nina Hoss e Aamir Khan
A cadeira vazia do diretor iraniano Jafar Panahi na coletiva do júri do Festival de Berlim 2011 , na manhã desta quinta-feira (10), serviu como protesto por sua prisão e a proibição de deixar seu país . “Esperamos que ele possa vir, nós não desistimos. Sua presença num festival internacional é para lembrar e dizer que a liberdade de expressão é fundamental”, afirmou Isabella Rossellini, presidente do júri formado pela produtora australiana Jan Chapman, o ator indiano Amir Khan, a atriz alemã Nina Hoss, o cineasta canadense Guy Maddin e a figurinista inglesa Sandy Powell.

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Urso de Ouro em frente ao perfil da presidente do júri em 2011, a atriz Isabella Rossellini
Khan, que passou um bom tempo com Panahi no Festival de Locarno de 2002, onde ambos eram membros do júri, defendeu que o governo iraniano o reconheça como um embaixador do país. “A cultura persa é incrível, e ele é um grande representante de seu país e de sua cultura”, disse. Um pouco depois, o ator afirmou que a censura à liberdade de expressão precisa ser combatida. “Houve censura nos Estados Unidos, na era McCarthy. Na Índia, também. É uma luta constante. Precisamos trabalhar juntos pacientemente e tentar superá-la a cada vez que ela aparece.”

Isabella Rossellini disse que não sabe se questões políticas serão levadas em conta pelo júri, pois os critérios ainda não foram definidos. “O grande prazer é ver as particularidades. A particularidade de uma cultura, de uma pessoa, é atraente”, afirmou. Amir Khan defendeu a emoção. “A essência para mim seria um filme que me toca e me faz pensar em coisas sobre mim mesmo, sobre as pessoas.”

Guy Maddin disse que vai para cada filme esperando ver um grande filme. “As questões políticas não entram na equação obrigatoriamente”, afirmou. “É bom ter um julgamento puramente estético. A ausência de Panahi já é uma questão puramente política.” Indagado sobre sua relação com o cinema latino-americano, o diretor contou que começou a apreciar filmes do continente com os melodramas mexicanos da década de 1930, passando para os trabalhos de Luis Buñuel no país e depois para Zé do Caixão. “Uma vez o vi no bufê do Festival de Sitges, tentando pegar comida com suas unhas enormes. Virei seu fã”, disse.

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