"É estranho ter um hit nas mãos", diz Joel Coen em Berlim

Diretores de "Bravura Indômita" comentam sucesso do filme, indicado a dez categorias no Oscar

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Getty Images
Josh Brolin, Joel e Ethan Coen, Hailee Steinfeld e Jeff Bridges na coletiva de "Bravura Indômita", em Berlim
“Bravura Indômita” mostra o prestígio alcançado pelos irmãos Ethan e Joel Coen, antigamente diretores independentes e de pouco público e apelo. Indicado a dez Oscar , o filme também foi escolhido para abrir o  61º Festival de Berlim .

O filme, que estreia nesta sexta-feira 11 no Brasil, foi exibido para a imprensa no início da tarde desta quinta-feira 10 em Berlim. Os Coen voltam ao território desolado, quase desértico, do interior dos Estados Unidos, uma terra de ninguém onde a justiça (e os fracos) não têm vez. Mattie (a ótima Hailee Steinfeld, indicada ao Oscar de coadjuvante) é uma garota de 14 anos que sai de seu rancho para buscar o corpo do pai, assassinado depois de ter seu dinheiro roubado. Disposta a levar o matador a julgamento, ela contrata o xerife Rooster Cogburn (Jeff Bridges, concorrente ao Oscar de melhor ator) para buscar Tom Chaney (Josh Brolin) no território indígena onde ele se escondeu. Rooster não imagina, mas a menina está determinada a acompanhá-lo. Aos dois, junta-se o agente LaBoeuf (Matt Damon), que procura o mesmo homem. O elenco é de primeira, e os Coen demonstram a competência habitual, mas sem brilho. O grande destaque é mesmo a estreante Hailee Steinfeld.

Num festival de poucas estrelas, a coletiva de imprensa que aconteceu após a sessão foi ainda mais concorrida e começou com atraso considerável para os padrões. Vinte e dois minutos depois do horário previsto, os diretores Ethan e Joel Coen e os atores Jeff Bridges, Josh Brolin e Hailee Steinfeld compareceram ao salão de coletivas do Hotel Hyatt para falar com os jornalistas.

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Jeff Bridges em "Bravura Indômita": desculpas pela ininteligibilidade da fala do personagem
“É estranho ter um hit nas mãos”, disse Joel Coen, quando indagado sobre o sucesso inesperado do filme – “Bravura Indômita” é, de longe, a maior bilheteria da dupla, tendo arrecadado mais de US$ 150 milhões nos Estados Unidos. Jeff Bridges tinha sua teoria sobre o sucesso. “Acho que pode ser um efeito acumulado. Eles são tão bons que nem todos percebem. Agora, estão percebendo”, afirmou.

O ator também disse que é ótimo trabalhar num filme baseado num romance – “Bravura Indômita” foi escrito por Charles Portis. “Fico feliz porque o livro me dá mais informações sobre o personagem que estou interpretando”, afirmou. Segundo ele, foi difícil conseguir falar como o personagem. “E queria pedir desculpas pela ininteligibilidade da minha fala. A gente trabalhou nisso, mas o cara falava assim. Felizmente, aqui temos legendas.”

Indagado sobre como se relacionava com a violência sempre presente em seus filmes, Ethan Coen disse que não era uma coisa pessoal. “A gente quer contar uma história e que os desafios sejam grandes”, afirmou. Eles evitaram as comparações com a produção de mesmo nome baseado no livro de Portis e estrelado por John Wayne em 1969. “Não pensamos num remake. O filme era uma memória antiga e ainda não o revimos. Éramos fãs do romance, foi daí que saiu. Simplesmente desconsideramos que outra adaptação tinha sido feita”, contou Ethan. Os dois também negaram qualquer ressonância contemporânea da história. “Não pensamos nisso”, afirmou Ethan.

Hailee Steinfeld não conseguiu apontar o maior desafio em interpretar a personagem Mattie Ross. “Todos os dias, havia um. Mas acho que, depois de trabalhar nos diálogos, não tive problemas.” Joel Coen contou que, antes de selecioná-la, eles contaram que ela ia ter de atravessar um rio gelado e ficar pendurada numa árvore a 60 metros do chão. “E ela disse: ‘Ah, tá bom’.” No set, a garota cobrava a cada vez que alguém do elenco ou da equipe falava palavrão. Josh Brolin foi quem mais pagou. “Ela ganhou mais naquela jarra do que no filme”, disse o ator. O dinheiro foi doado a uma fundação de Alzheimer.

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