"É bom pensar sobre o trabalho de outras pessoas", diz Mike Leigh em Berlim

Presidente do júri, cineasta britânico fala sobre a tarefa ao lado de colegas como Jake Gyllenhaal e Charlotte Gainsbourg

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

O júri que vai escolher o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2012 vai levar em conta os aspectos artísticos, em primeiro lugar, sem se esquecer do contexto político e social atual, como disse seu presidente, Mike Leigh, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (9), data oficial de abertura do evento na capital alemã.

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“Somos muito sofisticados para falhar nessa tarefa”, disse o diretor inglês, ironicamente. Ele estava acompanhado do fotógrafo e cineasta holandês Anton Corbijn, do diretor e roteirista iraniano Ashghar Farhadi, ganhador do Urso de Ouro no ano passado por “A Separação” , da atriz francesa Charlotte Gainsbourg, do ator norte-americano Jake Gyllenhaal, do cineasta e roteirista francês François Ozon, do escritor argelino Boualem Sansal e da atriz alemã Barbara Sukowa.

Leigh afirmou que sempre gostou do espírito do Festival de Berlim. “Aprecio a atmosfera, a descontração, o ‘joie de vivre’. Ajuda que seja no meio do inverno, por causa do frio”, afirmou Leigh, que praticamente foi o único a falar. “Como todo júri, estamos todos de acordo, e é um júri muito comportado, devo dizer”, afirmou o cineasta, brincando.

Segundo ele, “é bom pensar sobre o trabalho de outras pessoas, não apenas o seu”. Indagado se vão discutir todos os filmes e se vão fazer isso durante almoços e jantares, o diretor inglês brincou mais uma vez: “Claro que vamos falar sobre todos os filmes e vamos fazer refeições, como você esperaria. Essa é a principal tarefa. Se tivermos tempo, vamos passear por Berlim, pode ter certeza”.

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Leigh também falou sobre o domínio de Hollywood no cinema. “Há o cinema mundial e há Hollywood. Eu sinto, pessoalmente, que pela primeira vez dá para ter alguma confiança de que a inevitável dominação de Hollywood está diminuindo, e isso é uma boa notícia.”

Barbara Sukowa acrescentou: “Um tempo atrás, cineastas alemães queriam imitar Hollywood. Agora, me parece que eles querem ter sua própria voz”. Ozon creditou a mudança à tecnologia. “Há uma chegada de novos cineastas que agora podem se exprimir”.

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