Documentário sobre Bob Marley perde o foco e fica cansativo

Filme de de Kevin MacDonald foi exibido dentro do Festival de Berlim

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena de 'Marley', documentário de Kevin McDonald
Bob Marley (1945-1981) é adorado ainda hoje no mundo todo. O documentário “Marley”, de Kevin MacDonald, tenta desvendar o homem por trás do mito em 144 minutos.

“Queria que fosse tão íntimo quanto possível. Houve filmes antes falando sobre como ele era ícone. Eu estava interessado no ser humano. Por que ele era assim?”, disse o diretor em entrevista coletiva no Festival de Berlim na tarde deste domingo (12). “Acho que ele foi uma das grandes figuras da cultura no século 20, ninguém teve uma influência tão duradoura.”

O filme tem uma estrutura bem clássica, começando na infância e terminando em sua morte por câncer, aos 36 anos de idade. O diretor conseguiu reunir muita gente que realmente conheceu o cantor e compositor, de empresários e donos de gravadora a amigos, mulher, namoradas e filhos – Marley teve 11, com sete pessoas diferentes.

“Na vida, você não pode determinar quando o amor vem e vai. Os filhos são frutos de seu amor. E aprendemos que todas as mães são sua mãe. Somos todos irmãos e irmãs, não somos meio-irmãos e meio-irmãs. Somos todos uma família só”, disse Rohan Marley, um dos filhos ( e noivo da modelo brasileira Isabeli Fontana ), na coletiva.

Ele também se lembrou de um domingo em que estava brincando com seu irmão Stephen no quintal e garotos vieram pedir dinheiro, como sempre faziam com Bob. “Dissemos: ‘Hoje não é seu dia, volte amanhã!’. Meu pai nos chamou na hora, deu dinheiro, pediu para que abríssemos o portão, comprássemos sorvete para os meninos e olhássemos enquanto eles chupavam. Disse: ‘Vocês estão dentro do portão, vocês estão bem’. Ele queria saber de quem estava fora do portão.”

Apesar de o diretor dizer que sua ideia era mostrar o homem por trás do ídolo, faltam justamente mais histórias como essa. Há muitas declarações repetitivas – por exemplo, várias pessoas relatam que ele era tímido, mas quase ninguém conta histórias sobre essa timidez.

Não há relatos mais pessoais das mulheres sobre o início dos relacionamentos, nem dos filhos sobre o contato com o pai. “Marley” detém-se bastante em cada momento da carreira e fica sem foco e cansativo.

Sobre a ideia de fazer um filme ficcional baseado na vida do cantor e compositor, Rohan Marley não pareceu muito inclinado a concordar. “É difícil encontrar alguém para interpretar meu pai. Ele era um dançarino espiritual, você precisa se conectar com a vibração. Não dá para interpretar, tem de ser. Quem for interpretar meu pai vai ter de trazer lágrimas a meus olhos”, disse.

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