Dirigido por Park Chan-wook, curta feito com iPhone funciona

Cineasta de ¿Oldboy¿ prova em Berlim que equipamento não é o mais importante

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena do curta-metragem sul-coreano "Paranmanjang"
O sul-coreano Park Chan-wook é dos mais interessantes no cinema atual. Diretor de “Oldboy” e “Sede de Sangue”, ele está na competição do Festival de Berlim 2011 – só que na categoria curta-metragem. “Paranmanjang” é surpreendente por ter sido inteiramente rodado com iPhones. E olha que o cineasta não fez algo só para constar: o filme tem 33 minutos.

Dirigido em parceria com seu irmão mais novo, Park Chan-kyong, “Paranmanjang” (pescaria noturna, na tradução) começa com uma espécie de videoclipe da estilosa banda Uhuhboo Project. Depois, segue um homem, interpretado pelo ator-fetiche de Chan-wook, Oh Kwang-rok, que vai pescar sozinho num lago. No meio da noite, recebe a visita de uma mulher, aparentemente afogada, e se embaraça com o corpo numa linha de anzol. Vestida com roupas de funeral, ela começa a chamá-lo de “papai”. De repente, o cenário muda completamente – e mais não convém dizer, a não ser que o filme envereda numa espiral surrealista e com aquele humor bizarro que é marca do cineasta. As imagens, na maior parte num granulado branco e preto, são bonitas. Assim, Chan-wook e Chan-kyong provam que o equipamento não é o mais importante. O que interessa é o olhar do cineasta.

No mesmo programa, foram exibidos outros quatro curtas-metragens, sendo duas animações. Na primeira, a dinamarquesa “Heavy Heads” (cabeças pesadas), de Helena Frank, uma mulher de cabeça gigante literalmente se arrasta pelo minúsculo apartamento. Ela é solitária, morre de medo de sair no corredor e tem como companhia uma mosca. O filme de oito minutos é bem crítico e divertido. O polonês “Switez”, de Kamil Polak, de belas imagens, é como um conto de fadas perturbador, em que um cavaleiro vai parar no fundo de um lago, onde descobre uma civilização perdida. A singela ficção canadense “Green Crayons”, de Kazik Radwanski, passa uma tarde na escola onde o terrível Liam (Kaiden Williams) e o bonzinho Xavier (Raj Manav) trocam cusparadas. O primeiro leva a culpa, apesar de o segundo ter começado.

Completando o programa, o curioso “Cleaning up the Studio”, documentário de Christian Jankowski. Como numa obra de arte contemporânea, aqui é preciso saber o contexto para entender a graça – afinal, trata-se apenas do registro de uma tarde de trabalho da companhia de limpeza Beautiful Cleaning no estúdio do artista sul-coreano Nam June Paik. É surpreendentemente engraçado ver como os itens do estúdio do artista, transplantado de Nova York para Seul depois de sua morte, ganham nova ordem com o trabalho da Beautiful Cleaning, contratada por Jankowski, ele próprio um artista plástico, para fazer a limpeza.

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