"Desconhecido" tenta discutir identidade, mas esbarra nos clichês

Thriller estrelado por Liam Neeson e Diane Kruger se passa nas ruas de Berlim

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Liam Neeson se esforça em "Desconhecido": em busca da identidade
A plateia – majoritariamente alemã, supõe-se – vibrou em muitas cenas de “Desconhecido”, produção americana dirigida pelo espanhol Jaume Collet-Serra, exibida para jornalistas no começo da tarde desta sexta-feira (18), fora de competição no Festival de Berlim 2011 . Mas foram basicamente eles e principalmente por conta das perseguições de carro e explosão no hotel Adlon, na capital alemã.

O suspense estrelado por Liam Neeson não tem nada de incrível. À trama: o Dr. Martin Harris desembarca em Berlim para uma conferência de biotecnologia, acompanhado da mulher, Liz (January Jones). Quando chegam ao hotel, ele percebe que se esqueceu da maleta com documentos e resolve voltar ao aeroporto. O táxi dirigido por Gina (Diane Kruger) sofre um acidente e cai no rio. Martin fica em coma por quatro dias, acorda com certa confusão mental, mas, ao procurar Liz, ela não o reconhece. O homem que está ao lado dela, vivido por Aidan Quinn, também diz ser Martin Harris. Depois de duvidar de si mesmo, o “verdadeiro” passa a ser perseguido e conta com a ajuda da taxista e de um ex-agente da Stasi (Bruno Ganz, a melhor coisa do longa) para provar que é Martin Harris.

Getty Images
Diane Kruger promove o filme em Berlim
Como tantos outros filmes dos últimos anos, este trata de perda de memória e busca de identidade. Mas o formato é de thriller, usando todos os clichês do gênero, além de um certo exagero nas colisões, perseguições e explosões. Será que era mesmo preciso tudo isso? “Desconhecido” poderia ser um ótimo filme, mas, como obedece às regras do thriller, vira apenas mais um.

Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, o diretor Jaume Collet-Serra disse que, originalmente, a história se passava em Paris. “Mas eu achava que era uma cidade muito familiar para o público americano. Nunca tinha vindo a Berlim, um lugar interessante, com muita história. Era um personagem em busca de sua identidade, e a cidade poderia oferecer muito porque me parece estar buscando a sua também.”

Diane Kruger afirmou que normalmente não tem problema nenhum de passar suas cenas de ação para uma dublê. “Mas fazia parte de quem ela era, o público tinha de acreditar que era eu mesmo e eu também tinha de acreditar ser capaz. É um trabalho interessante, uma camada diferente de atuação”, disse. “Não sabia quão preciso tinha de ser. Mas não foi fácil tentar salvar um cara de 1,93m.”

A cena do acidente de carro foi rodada sem tela verde, com mecanismos que faziam o carro girar de verdade. “Alguns dos gritos eram reais”, contou a atriz alemã. Ela afirmou que adora trabalhar no cinema de seu país, mas seu objetivo sempre foi uma carreira internacional. “Nunca quis estar limitada a uma língua ou nacionalidade”, disse.

Assista ao trailer de "Desconhecido":

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG