Billy Bob Thornton faz libelo contra a guerra em "Jayne Mansfield's Car"

Em filme situado na década de 1960, ator e diretor norte-americano reflete sobre família

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

A segunda-feira (13) foi mesmo o dia da família na competição do Festival de Berlim 2012 . Depois de “L’Enfant d’en Haut” , de Ursula Meier, foi a vez de “Jayne Mansfield’s Car”, quarto longa-metragem do também ator Billy Bob Thornton, que se passa em 1969.

Divulgação
Kevin Bacon (à direita), o hippie de "Jayne Mansfield's Car"
Thornton interpreta Skip, veterano da Segunda Guerra apaixonado por carros e filho de Jim Caldwell (Robert Duvall), um sujeito linha-dura que é fascinado por acidentes automobilísticos e para quem ir à guerra é motivo de orgulho. Ele também é pai do igualmente rígido Jimbo (Robert Patrick), do hippie Carroll (Kevin Bacon) e da animada Donna (Katherine LaNasa), que mora em outra cidade.

Todos se reúnem para o funeral da mãe, que queria ser enterrada na cidade-natal apesar de anos atrás ter abandonado a família para casar-se com o inglês Kingsley Bedford (John Hurt), com quem teve Phillip (Ray Stevenson) e Camilla (Frances O’Connor).

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A desconfiança inicial entre os Caldwell e os Bedford dá lugar a um relacionamento cordial – bem, às vezes mais do que isso, principalmente entre Skip e Camilla e entre Donna e Phillip. Mas até os dois velhos começam a se respeitar.

Claro que família é sempre uma panela de pressão, e antigos ressentimentos acabam vindo à tona de forma explosiva. Em geral, eles envolvem não só a presença e a ausência da mãe como a questão da guerra: tanto os Caldwell quanto os Bedford mandaram seus filhos para os diversos conflitos, seja a Primeira ou a Segunda Guerra e, agora, paira a ameaça do Vietnã. Aqueles que foram feridos e traumatizados são celebrados, enquanto os outros, não. O filme é eminentemente masculino, com base no conflito entre pai e filho.

Bob Thornton juntou um elenco talentoso, com destaque para os veteranos Duvall e Hurt e para ele próprio, como um sujeito meio limítrofe. Há boas cenas – como o momento em que ele se revela para Carroll –, personagens inteiros e tiradas bem engraçadas, principalmente aquelas que exploram os conflitos culturais entre americanos do sul e britânicos, mas o roteiro termina sendo esquemático demais, juntando cada pecinha do quebra-cabeça, e um pouco discursivo em excesso no libelo contra a guerra.

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