Billy Bob Thornton faz libelo contra a guerra em "Jayne Mansfield's Car"
Em filme situado na década de 1960, ator e diretor norte-americano reflete sobre família
A segunda-feira (13) foi mesmo o dia da família na competição do Festival de Berlim 2012 . Depois de “L’Enfant d’en Haut”, de Ursula Meier, foi a vez de “Jayne Mansfield’s Car”, quarto longa-metragem do também ator Billy Bob Thornton, que se passa em 1969.
A desconfiança inicial entre os Caldwell e os Bedford dá lugar a um relacionamento cordial – bem, às vezes mais do que isso, principalmente entre Skip e Camilla e entre Donna e Phillip. Mas até os dois velhos começam a se respeitar.
Claro que família é sempre uma panela de pressão, e antigos ressentimentos acabam vindo à tona de forma explosiva. Em geral, eles envolvem não só a presença e a ausência da mãe como a questão da guerra: tanto os Caldwell quanto os Bedford mandaram seus filhos para os diversos conflitos, seja a Primeira ou a Segunda Guerra e, agora, paira a ameaça do Vietnã. Aqueles que foram feridos e traumatizados são celebrados, enquanto os outros, não. O filme é eminentemente masculino, com base no conflito entre pai e filho.
Bob Thornton juntou um elenco talentoso, com destaque para os veteranos Duvall e Hurt e para ele próprio, como um sujeito meio limítrofe. Há boas cenas – como o momento em que ele se revela para Carroll –, personagens inteiros e tiradas bem engraçadas, principalmente aquelas que exploram os conflitos culturais entre americanos do sul e britânicos, mas o roteiro termina sendo esquemático demais, juntando cada pecinha do quebra-cabeça, e um pouco discursivo em excesso no libelo contra a guerra.