"Barbara" surpreende com economia em história de amor

Dirigido por Christian Petzold, filme se passa na Alemanha Oriental dos anos 1980

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena do filme "Barbara"
O Berlinale Palast lotou completamente na manhã deste sábado (11) para assistir ao primeiro filme alemão da competição do 62º Festival de Berlim, “Barbara”, de Christian Petzold.

A personagem-título, interpretada por Nina Hoss, é uma médica berlinense enviada para uma pequena cidade da Alemanha Oriental como punição por ter pedido permissão para visitar o Ocidente, nos anos 1980.

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Na verdade, Barbara apenas espera que o amante Jörg (Mark Waschke), alemão ocidental, encontre um jeito de fugir para ela. Até lá, a protagonista espera ter sua vida em suspenso, sem fazer contato com ninguém.

Mas, logo, ela precisa lidar com a atenção do médico André (Ronald Zehrfeld), que trabalha no mesmo hospital e pode tanto estar querendo espioná-la ou apenas interessado. Com o tempo, porém, Barbara percebe que os dois mantém uma relação muito parecida com a sua profissão. À medida que a data da viagem para o Oeste se aproxima, ela também se aproxima de André.

O diretor Christian Petzold conseguiu criar uma atmosfera tensa, sem recorrer aos ambientes escuros e de cores esmaecidas que costumam estar em filmes sobre a época. “Queríamos mais cores, mais natureza. Era preciso ter vida. Fizemos muita pesquisa sobre a Alemanha Oriental, mas não era disso que o filme se tratava. Não queria retratar a Alemanha oriental, mas expor como sobreviver um regime em colapso.”

A atriz Nina Hoss disse que seu maior desafio foi, justamente, acertar a atmosfera da Alemanha Oriental nos anos 1980. “Falei com pessoas que moraram na Alemanha Oriental, quanto eles ficavam alertas, quanto podiam ousar e quando precisavam retroceder”, disse.

Petzold é muito econômico nas palavras e nas cenas, que duram apenas o que precisam durar. Muito da comunicação entre Barbara e André se dá apenas por meio do olhar. A desconfiança nas relações num país em que tudo era controlado está presente, sem que o diretor fique chamando a atenção para o assunto.

Ao mesmo tempo, ele não mostra o lugar como impossível de viver ou de amar – no fim, são mesmo as pessoas que fazem a diferença. “Barbara” foi uma boa surpresa nesse Festival de Berlim ainda morno.

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