Balanço final do Festival de Berlim 2011

Competição teve dois filmes indiscutíveis e poucos que valessem a pena

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena do iraniano "Jodaeiye Nader az Simin", um dos filmes que se destacam a ponto de serem indiscutíveis
A mostra competitiva do Festival de Berlim 2011 chegou ao final deixando a impressão de que, no geral, foi uma seleção fraca. Não por causa da pequena quantidade de filmes praticamente irretocáveis, no caso, apenas dois: o iraniano “Jodaeiye Nader az Simin” , de Ashgar Farhadi, e o húngaro “A Torinói Ló” , de Béla Tarr. O primeiro, a partir da separação do casal Nader e Simin, toca em assuntos sociais, religiosos, políticos, mostrando a contraposição entre tradição e modernidade no Irã hoje. O segundo é outro tipo de obra, original também na forma, ao mostrar a situação cada vez mais difícil do homem e da moça que moram numa casa isolada.

É normal que num festival existam apenas dois ou três que realmente se destaquem a ponto de serem indiscutíveis. O problema da competição é que havia poucos longas que valessem a pena, mesmo que não estivessem no mesmo nível desses dois. Um dos exemplos raros é “The Forgiveness of Blood” , de Joshua Marston, que chegou na última hora, no último dia, disposto e merecedor de abocanhar alguns prêmios que o júri presidido por Isabella Rossellini certamente vai ter dificuldades de distribuir, na noite deste sábado (19).

Apesar da exibição de “The Forgiveness of Blood” ter fechado muito bem a competição, os dias derradeiros do evento não foram muito animadores. Houve alguns trabalhos com alguma proposta e expressividade, como o sul-coreano “Saranghanda, Saranghaji Anneunda” , de Lee Yoon-ki, e o turco “Bizim Büyük Çaresizligmiz” , dirigido por Seyfi Teoman, mas também coisas incompreensíveis como “Odem” , de Jonathan Sagall. Junto com as produções da Coreia do Sul e da Turquia, nessa faixa mediana, estão o adorável “Les Contes de la Nuit” , de Michel Ocelot, “Schlafkrankheit” , de Ulrich Köhler, e “Margin Call” , de J.C. Chandor.

“Coriolanus” , de Ralph Fiennes, não faz de todo feio principalmente por causa das atuações do próprio ator-diretor, no papel-título, e da grande Vanessa Redgrave, como a mãe do protagonista. Ambos têm grandes chances de troféus. Entre as outras interpretações dignas de destaque estão as das atrizes iranianas Leila Hatami e Sareh Bayat, de “Jodaeiye Nader az Simin”, do ator holandês Pierre Bokma, de “Schlafkrankheit”, e dos turcos Ílker Aksum e Fatih Al, de “Bizim Büyük Çaresizligmiz”, da atriz Lim Soo-jeong e o ator Hyn Bin, além do quase sempre candidato Kevin Spacey, por “Margin Call”. Como se vê, não há muitas opções femininas.

O diretor do festival, Dieter Kosslick, privilegiou alguns temas em sua seleção. O mais evidente é a separação de casais. O grande favorito, “Jodaeiye Nader az Simin”, trata do assunto, bem como o sul-coreano “Saranghanda, Saranghaji Anneunda”, o argentino “Un Mundo Misterioso”, de Rodrigo Moreno, e o americano “The Future”, de Miranda July. Dois deles apostaram na ausência de drama: tanto no argentino “Un Mundo Misterioso” quanto no sul-coreano “Saranghanda, Saranghaji Anneunda”, não há choros, gritos ou brigas.

Outra parte da lista de competidores tratava de relações conturbadas: o já citado “Odem”, e o alemão “Wer Wenn Nicht Wir” , de Andres Veiel. Não faltaram também os tempos alargados, em que pouca coisa “acontece”. É caso novamente do argentino, do sul-coreano, mas também de “A Torinói Ló”, em que um velho e uma moça fazem tudo (quase) sempre igual, por seis dias e 146 minutos de projeção. Foram abundantes ainda os finais abertos: é assim em “Saranghanda, Saranghaji Anneunda”, “A Torinói Ló”, “Schlafkrankheit”, “V Subbotu” , de Alexander Midadze.

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