"Aujourd’hui" perde-se ao tentar abarcar a sociedade do Senegal

Filme do francês Alain Gomis retrata personagem de volta dos EUA, com medo da morte

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Segundo filme exibido para jornalistas na competição do Festival de Berlim 2012 , na manhã desta sexta-feira (9), “Aujourd’hui” (hoje, na tradução literal do francês), do parisiense Alain Gomis, não foi muito mais bem-sucedido que seu compatriota, “Adieux à la Reine” , de Benoît Jacquot, apresentado na abertura.

Divulgação
"Aujourd'hui", do francês Alain Gomis: complexidade do Senegal
Na coprodução França-Senegal, ele mostra Satché (Saul Williams), que faz o caminho reverso dos sonhos africanos: depois de estudar nos Estados Unidos, ele volta à sua vila natal. O filme, bem do tipo que o diretor do festival, Dieter Kosslick , gosta, começa no último dia de vida do protagonista – ele procura vivê-lo como se fosse assim.

“Foi amedrontador entrar nesse personagem, viver todos os dias como se fosse seu último dia. Fiquei nove meses trabalhando como se fosse morrer naquela noite e realmente comecei a ficar com muito medo de morrer enquanto estava fazendo o filme”, disse o ator Saul Williams na coletiva que se seguiu à exibição.

Satché visita sua pequena cidade, sendo recebido como rei, em princípio. Mas logo vê que as coisas não são tão amáveis assim. Seus amigos brigam por nada, há roubo e pobreza em excesso, manifestações populares que aumentam a tensão. Gomis concentra todas as questões da sociedade senegalesa durante o filme.

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“É uma ficção, talvez não muito afastada da realidade. Todas as imagens foram rodadas cerca de um ano atrás, numa situação muito tensa no país, por causa das eleições. Mas a tensão existe faz muito tempo, porque há uma classe minoritária rica e a maioria pobre”, afirmou o diretor.

Mas “Aujourd’hui” tem um jeito de conto de fadas, de sonho, que lembra por vezes o realismo mágico de García Márquez e os filmes do tailandês Apichatpong Weerasethakul, sem o mesmo lirismo. Há algumas imagens fortes e belas, especialmente as de Satché com a mulher, Rama (Anisia Uzeyman) e os filhos, bem no final.

Porém, é tarde, e a essa altura Gomis se perdeu muitas vezes tentando abarcar toda uma sociedade, com vinhetas sobre a cultura e a situação do país pouco integradas ao todo. Seria melhor focar um pouco mais.

Acesse o especial do Festival de Berlim

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