Alemão sobre geração Baader-Meinhof cai no melodrama

Revisionista, ¿Se Não Nós, Quem¿, de Andres Veiel, retrata revolução nos anos 60

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
August Diehl, Alexander Fehling e Lena Lauzemis no filme "If Not Us, Who"
O penúltimo filme da competição do Festival de Berlim 2011 , exibido no início da tarde desta quinta-feira (17), é dos mais “mainstream” apresentados no evento. “Wer Wenn Nicht Wir” (Se não nós, quem, na tradução livre do inglês), dirigido por Andres Veiel, é inspirado na história real de Bernward Vesper (August Diehl), filho de um escritor que apoiou ativamente Adolf Hitler e o nazismo.

Nos anos 1960, com a morte do pai, ele começa a reeditar seus livros. Conhece Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis) na universidade, e os dois envolvem-se romanticamente. O relacionamento é cheio de idas e vindas, principalmente porque ele vive pulando a cerca. Mais à frente, bastante repentinamente, aliás, Bernward revê sua admiração pelo pai e envolve-se nos movimentos de esquerda. Entra em cena o radical Andreas Baader (Alexander Fehling), líder do Grupo Baader-Meinhof, que vira amante de Gudrun.

“Wer Wenn Nicht Wir” não deixa muito espaço para o espectador tirar suas conclusões. Ele toca em assuntos como o conflito entre a vida privada e a vida política dos personagens, a opressão do passado e a culpa alemã, mas cai no melodrama, nos moldes de “Olga”, de Jayme Monjardim, e, inevitavelmente, no revisionismo. É exagero estar na competição.

A entrevista coletiva que se seguiu à exibição para jornalistas foi bastante concorrida – a sala estava praticamente lotada, provavelmente devido ao tema polêmico. O diretor, conhecido pelos documentários, disse que a ideia original era fazer um longa no formato. “Mas não foi possível, porque as pessoas não queriam falar.”

Veiel afirmou que o longa fala sobre a geração dos anos 1960 e mostra de onde veio. “Eles queriam mudar alguma coisa, não estavam satisfeitos, vinham de uma vida rígida, queriam redescobrir-se, isso significava ir em outra direção em relação a seus pais.” Para ele, o tema continua atual. “Temos muitos problemas no Iraque, por exemplo, mas também as questões climáticas, a crise econômica... A pergunta: ‘Se não nós, quem?’ diz respeito às pessoas hoje.”

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