`Estou praticando cidadania¿, diz estudante de 17 anos

Estudantes, médicos, enfermeiros, psicólogos, donas de casa: voluntários não param de chegar aos abrigos de Teresópolis

Flávia Salme, enviada especial a Teresópolis |

“Precisei brigar com a minha mãe para estar aqui. Não aguentava mais ficar em casa vendo tanta tragédia na TV sem fazer nada”. A frase é da estudante Michele Anjo, de 16 anos, uma rebelde com causa que resolveu arregaçar as mangas e ajudar os desabrigados de Teresópolis, onde mora.

Munida de lápis de cor, papel e massa para modelar, Michele convocou o maior número de crianças que conseguiu carregar para uma tarefa nobre no meio de tanta tristeza que abala os moradores de Teresópolis: brincar. “Eu não sei fazer nada especificamente, mas cuido dos meus irmãos pequenos. Acho que sei brincar com crianças, então, vim fazer isso para ajudar”, contou.

Agachada próximo à grade do ginásio Pedro Jahara, o Pedrão, a estudante do 6º ano de medicina Ana Oliva da Fonseca Lacerda Soares, de 21 anos, media a pressão arterial de uma senhora desabrigada, que inspira cuidados médicos. “É a primeira vez que sou voluntária dentro da minha profissão. Médico gosta de salvar vidas, né?”, diz, com um sorriso discreto.

Do lado de fora do ginásio, outro jovem ajudava como podia. “Estou praticando cidadania. Quero que todos que estão aqui fiquem bem”, respondeu o estudante Mário Felipe Macedo, 17, enquanto ajudava a carregar caminhões com mantimentos para as vítimas.

Os amigos de Mário também resolveram ajudar. “Eu sabia que ele estava aqui e liguei para saber se precisavam de ajuda. O Mário falou ‘corre para cá’. Vim o mais rápido que pude. Se fosse comigo, gostaria que fizessem o mesmo”, falou.

De médicos a caseiros

A psicóloga Marivalda Gusmão Pontes de Abreu também achou que devia fazer a sua parte. “Nessa hora, o mais difícil é aceitar a perda. E sem isso não tem superação. Tento oferecer um mínimo de conforto às famílias”, explicou.

A caseira Maria Isabel Gomes, 50, forçava a coluna para garantir o trabalho dos voluntários. “Estou ajudando a transportar mantimentos. São sacolas pesadas, mas o que dói mesmo é o coração da gente diante de tantas pessoas nessa situação tão triste”.

O fisioterapeuta Anderson Salino tentou explicar o sentimento que o faz querer ajudar. “Quando cheguei aqui no ginásio me senti impotente, sem saber o que fazer, um sentimento de derrota. Mas a gente ajuda alguém e recebe um sorriso. As coisas ganham um sentido muito maior”, afirmou.

Pedidos

Os cooordenadores do trabalho voluntário pedem as pessoas que queiram coloborar com doações que enviem roupas intimas, pois não há nenhuma para ser entregue a adultos, idosos e crianças. Também estão em falta produtos de higiene pessoal, como escova e pasta de dentes, além de sabonetes. Crianças pequenas precisam de mamadeiras.

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