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06/07 - 09:56 - Gazeta Esportiva
Presidente pretende negociar jogadores, inclusive os que não estão no clube, para tentar saldar dívida superior a R$ 100 milhões
SÃO PAULO - A revolta do presidente Andrés Sanchez com as críticas contra sua administração só não é maior que a preocupação com as finanças do Corinthians. Em um discurso inflamado, em que priorizou a emoção ao português correto, ele relacionou as decisões tomadas pela diretoria do clube com a dívida que ultrapassa R$ 100 milhões. E até cogitou orar para o padroeiro da equipe.
Ainda sem contar com “receitas mágicas” ou ajuda divina, Sanchez recorreu nas últimas semanas a negociar jogadores não aproveitados pelo Corinthians para conseguir dinheiro. Foi assim com o atacante Jô, que se transferiu do CSKA, da Rússia, para o Manchester City, da Inglaterra, e o lateral-direito Coelho, do Atlético-MG ao italiano Bologna.
Presidente explica a transferência de Jô
O empréstimo de Coelho ao Bologna rendeu pouco mais de R$ 500 mil ao Corinthians. O lateral-direito tem contrato até maio de 2009 com o clube do Parque São Jorge, e seu vínculo com os italianos vencerá no meio do próximo ano. Para comprá-lo em definitivo, será necessário efetuar o pagamento de 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 6,3 mi).
“Mas os italianos dificilmente vão pagar porque não são bobos nem nada. Como o contrato dele conosco vence em maio, é só esperar meses, enquanto o jogador passa férias, para ele ficar livre. Por isso, prorrogaremos o contrato dele até 1º de setembro”, anunciou Sanchez. “E vamos acender velas para São Jorge para ver se o Bologna nos paga algo.”
Em relação a Jô, o Corinthians possuía 10% dos direitos federativos do atacante, porém vendeu sua parte ao empresário Giuliano Bertolucci – que mantém bom relacionamento com representantes da ex-parceira MSI. Quando o Manchester City pagou cerca de R$ 57 milhões para contratá-lo, no entanto, o clube brasileiro deixou de ganhar o que antes lhe caberia na transação.
Sanchez não se arrepende do negócio com Bertolucci. “Ninguém tem receita mágica para saber que 100% dos direitos seriam vendidos. Se tiverem, contem para mim, pois estamos cheio de dívidas. Tenho certeza de que o Corinthians fez bem em vender os 10% do Jô. O único erro foi não ter informado isso no site logo no dia seguinte”, defendeu-se o presidente, enfezado com “levianiedades” que disseram a seu respeito.
O Corinthians também tenta lucrar com a ida de Roger, que estava emprestado ao Grêmio, para o Catar Sports Club. “Se alguém souber como sacar algum dinheiro do Catar ou do Roger, pode me dar a receita mágica”, pediu novamente Sanchez. O meia procurou a diretoria para rescindir seu contrato e rumar para o Catar. O problema é que ele está entre os muitos credores do clube paulista.
Segundo Sanchez, a iniciativa de saldar as dívidas trabalhistas do Corinthians atrapalha a sua gestão. “As saídas de jogadores são para pagar contas. As pessoas não sabem, mas estamos acertando uma série de problemas judiciais”, disse. Entre os que cobram o clube na Justiça, estão os técnicos Daniel Passarella e Emerson Leão.
Já o atacante Nilmar pleiteia R$ 7 milhões após a confusão que marcou a sua passagem pelo Parque São Jorge – o Corinthians, que sequer ficou com o atleta, teve de arcar com mais de R$ 20 milhões ao Lyon, da França, e ao Internacional. “Ele já ganhou em primeira instância. Vou tentar fazer um acordo para ele entender que o Corinthians não tem culpa pelo que aconteceu”, contou André Sanchez, que disse nem lembrar mais do nome do iraniano Kia Joorabchian, da MSI.
Negociações de jogadores renegados, rezas e receitas mágicas não são as únicas soluções para o Corinthians arcar com seus compromissos. O clube ainda vendeu parte dos direitos federativos de atletas que pretende aproveitar na equipe, o zagueiro Renato, o lateral-esquerdo André Santos e o atacante Dentinho, a grupo ligado ao empresário Delcir Sonda. E estuda até fazer um empréstimo bancário.
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