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29/07 - 13:09, atualizada às 20:12 29/07 - Nara Alves, repórter iG no Rio
RIO DE JANEIRO – Os Jogos Pan-Americanos consumiram R$ 3,8 bilhões, quase cinco vezes maior do que o orçamento estimado inicialmente, de R$ 800 milhões. Todo esse investimento valeu a pena, segundo o ministro de Esportes, Orlando da Silva Jr., porque “o País terá como legado o Rio de Janeiro como uma cidade olímpica”. No entanto, os resultados dos Jogos podem não ter sido tão favoráveis ao Brasil como o governo acredita. Leia o balanço do Pan abaixo e opine na enquete ao lado: afinal, o Pan-Americano valeu a pena?
Para a ex-jogadora de basquete Maria Paula Gonçalves da Silva, a Magic Paula, os brasileiros podem estar se iludindo com as conquistas dos atletas nos Jogos. Para ela, o País só saberá o que o Pan trouxe de positivo para o desempenho dos atletas brasileiros na Olimpíada de Pequim em 2008. "Os resultados são bons porque o número de medalhas superou Santo Domingo (Pan-Americano de 2003), mas, há 20 anos nenhum recorde mundial é batido”, salientou.
“A televisão falou só bem, mas muita coisa foi mascarada, principalmente sobre o nível técnico, que está aquém de mundiais ou Olimpíada”, apontou. Para Paula, seria mais importante para o Brasil o investimento em esportes nas escolas. “Não precisaria gastar o que gastou no Pan para ter uma política esportiva que já teria de estar feita há muito tempo”, frisou. Leia mais no post de Magic Paula em seu blog no iG.
Os Estados Unidos, por exemplo, vieram ao Rio com equipes de segundo e terceiro escalões. Primeiros colocados no quadro de medalhas, os EUA venceram os Jogos Pan-Americanos no Rio com cerca de duas vezes mais medalhas de ouro que o Brasil. No entanto, o desempenho norte-americano nos Jogos do Rio foi um dos piores na história do país em Pan-Americanos, com menos de 100 medalhas de ouro até o momento. O melhor resultado foi com 170 medalhas de ouro em 1995 em Mar del Plata, na Argentina, e o pior resultado foi com 105 medalhas de ouro em 1971 em Cáli, na Colômbia.
Os atletas brasileiros bateram o recorde de medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos obtido em 2003 em Santo Domingo, que era de 29. No entanto, o rendimento por atleta inscrito caiu em 2007, já que a delegação é 30% maior. São 180 atletas e 55 técnicos e dirigentes a mais do que em 2003. Em 2003, 60% dos atletas subiram ao pódio. Em 2007, este número caiu para 40%. “Como país sede, somos obrigados a participar de tudo. Por isso, o número de atletas aumentou. Mas têm modalidades em que a gente só participou, e não competiu”, justificou o subchefe da missão brasileira no Pan, José Roberto Perillier.
Mesmo com a queda no rendimento por atleta, a torcida vibrou com cada uma das conquistas durante os Jogos gritando "sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor". O Pan-Americano pode ser contribuído para o crescimento desse orgulho. A pesquisa de junho CNT/Sensus, que faz essa medida desde a década passada, indica que 91% dos entrevistados dizem ter orgulho de ser brasileiro. Leia o que os leitores do iG já falaram sobre o tema no Jornal de Debates.
O ministro Orlando Silva Jr. considerou um “grande sucesso” a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro. “Todas as instalações esportivas funcionaram como previsto. A nota dissonante, infelizmente, se deu nas instalações de beisebol e softbol”, afirmou. O ministro não mencionou outros problemas de infra-estrutura que atrapalharam as competições, como as dimensões do ringue de boxe, drenagem insuficiente na quadra de tênis, piso inadequado para o futsal.
Para o ministro, “o resultado nos permite dizer que estamos prontos para buscar outros vôos. Estamos prontos para disputar uma candidatura olímpica”, acredita. Já o presidente da Organização Esportiva Pan-Americana (Odepa), Mario Vázquez Raña, é mais cauteloso em afirmar que o Brasil está pronto para receber uma Olimpíada. Para ele, o Brasil poderá fazer uma candidatura consistente para sediar as Olimpíada, mas "para ganhar ainda falta muito".
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