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20/07 - 15:18 - Alexandre Salvador, repórter do Último Segundo
RIO DE JANEIRO - Depois de encerrar sua participação nos Jogos Pan-Americanos, a nadadora Joanna Maranhão saiu da piscina, nesta sexta-feira, sem conquistar nenhuma medalha, porém tranqüila quanto a seu desempenho no Rio de Janeiro e completamente insatisfeita com as atitudes do presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), Coaracy Nunes Filho.
“Não tenho apoio nenhum da Confederação. A única coisa que eles me deram foi um par de maiôs para competirmos. Em 2004, eu tinha tudo que precisava. Se eu quisesse sair da minha casa e passasse um mês treinando aqui no Rio, sem problemas. E isso começou porque passei a nadar mal”, afirmou a pernambucana de 20 anos.
Joanna surgiu para a natação aos 17 anos, justamente na última edição do Pan, em 2003 na República Dominicana, quando conquistou a medalha de bronze. No ano seguinte, a pernambucana chegou na quinta colocação na final olímpica dos 400 metros medley. Mas após o Mundial de Natação de 2005, quando se esperava outro grande resultado da nadadora e que não veio, tudo mudou.
“Ele (Coaracy) vai dizer que eu não ganhei medalha, não consegui o índice olímpico, que eu não tenho nada. Ele vai me mandar para o inferno, alguma história ele vai inventar. O que interessa para ele é a medalha, não está nem aí para o tempo e para a programação que está sendo realizada”, revelou Joanna.
Além das restrições de apoio, Joanna contou que os atletas brasileiros são instruídos a não falarem sem a presença de seus técnicos, como uma forma de intimidar declarações polêmicas. “Eles fizeram uma reunião na qual ficou estabelecida que o atleta só poderia dar entrevista com a autorização do técnico responsável. Eu não estou com o meu técnico, por que então eu devo pedir permissão para um cara que nunca me treinou para saber o que eu posso falar ou não?”
A nadadora disse que não é novidade os atritos entre atletas e o presidente da Confederação e que outros nadadores não se manifestam para não perderem seus incentivos. “Ele (Coaracy) está aí há 19 anos, é muita coisa. Não sou a primeira atleta a ‘peitar’ ele, Luiz Lima foi um dos que já o enfrentou. Vocês não sabem o pão que o diabo amassou que ele comeu depois que ele foi campeão pan-americano em Winnipeg. Muitos querem falar, mas não podem. Se eu tivesse o apoio dele, não poderia falar, porque senão ele cortaria e faria falta. Como não tenho, eu falo.”
Depois do desabafo, Joanna falou de suas expectativas para o futuro. “Sei que eu estou no caminho certo. Mesmo fora do Pan, não é hora de pensar em férias. Estou muito próxima do índice (olímpico) e agora é hora de aproveitar o momento e treinar mais forte ainda.”
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