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10/07 - 16:30 - Alberto Helena Jr.
Se o Brasil de Dunga exala forte odor de 94, a Argentina, tão justamente badalada nesta Copa América, tem cheiro de arroz queimado, com algumas fragrâncias do Brasil-82.
É tamanha sua superioridade neste torneio, que um tropeço diante do México não me surpreenderia, como mais uma das tantas falsetas que os deuses têm feito com o futebol nos últimos tempos.
Os argentinos foram para a Venezuela com a nata do creme do seu futebol de três gerações. Lá estão os veteranos bons de bola Verón, Zanetti e Ayala, cercados dos ainda jovens mas já maduros Riquelme e Crespo, complementados pela última safra bem representada por Mascherano, Messi e Tevez.
Para os padrões atuais do futebol no mundo, um timaço, que pratica aquele jogo tipicamente argentino de muito toque, habilidade e força ofensiva.
E assim vem flutuando nesta Copa América como em êxtase, para delírio dos seus torcedores e prazer dos que gostam de um futebol bem jogado, nas regras da arte.
A perda do artilheiro Crespo, machucado, foi um duro golpe para o esquema de Alfio Basile, que terá de readaptá-lo a Tevez, um atacante de outro feitio.
Pior do que isso, porém, é o adversário desta noite de quarta: esse México, de tão traiçoeiras manobras, time capaz de ficar ali pela sua zona de defesa como quem não quer nada, e, de repente, numa escapada de Castillo, canhotinho hábil e veloz, pimba, gol.
Mesmo porque, em mata-mata, tudo é possível. Pois, quem poderia esperar aquela goleada dos mexicanos sobre o Paraguai, historicamente, defesa dura de roer? Bastou o goleiro paraguaio fazer aquela lambança logo aos dois minutos de jogo, e, pronto, a casa veio abaixo.
O mais importante, porém, para os argentinos é saber que eles estão no caminho certo, ganhando ou perdendo: depois de anos perdidos nos desvãos da vida, o reencontro, finalmente, com sua própria identidade.
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