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Bola Virtual: Robinho decisão X Robinho plástico

02/07 - 15:27 - Alberto Helena Jr.



Não, não foi a melhor partida de Robinho com a camisa da Seleção. Foi, sem dúvida, a mais decisiva, pelos três gols marcados, o que, aliás, não faz parte de seu repertório habitual.

Robinho já jogou melhor várias vezes antes. Aliás, jogou melhor contra o México, sobretudo no segundo tempo, quando passou a atuar mais no setor de armação, ao lado de Anderson, depois da entrada de Afonso lá na frente, fazendo dupla com Love.

Isso, porque, livre para circular pelo campo, a partir do meio-campo, Robinho é exatamente o oposto do clichê que lhe impingiram desde o início de sua brilhante carreira: o mais solidário, por conseguinte, o menos individualista dos nossos jogadores de frente.

Graças à leveza de movimentos, à extrema velocidade e muita resistência, Robinho toca e se apresenta como alternativa para os companheiros o tempo todo e em todos os cantos do campo. E, quando tenta o drible e perde a bola, não desiste, até recuperá-la, o que faz com constância inusitada em relação à maioria dos avantes brasileiros.

Veja o amigo que não estou falando de pedaladas e outros truques engenhosos do craque, quando a individualidade se impõe. Falo do Robinho múltiplo, coletivo, do Robinho-equipe, que o preconceito de muitos e a miopia de outros não querem enxergar.

Foi esse Robinho que sempre me encantou, desde seu aparecimento no Santos, há dois/três anos apenas. O Robinho-malabarista apenas me diverte, o que não é fácil nesse futebol mecanizado, idiotizado, mediocrizado, rebaixado à forma mais tosca de entender o jogo, tão defendido pelos pragmáticos de plantão, incapazes de ver que raros são os jogos no mundo tão pragmáticos como esse menino de São Vicente.

Mas, o que surpreende, nesta Copa América, é o amadurecimento do craque como tal.

94 no ar

Há um cheiro de 1994 no ar, com todas as recendências que marcaram aquele ano da reconquista da Copa do Mundo, nos EUA, tanto as agradáveis quanto aquelas que provocam alergia nos mais exigentes, como este aprendiz de cronista.

Jogamos mal as duas primeiras partidas na Copa América, e o técnico exala otimismo nos microfones. Perdemos uma e ganhamos outra, quando terminamos a partida com quatro volantes e toda a criatividade concentrada apenas nos pés de Robinho, que foi arco e flecha desse time. E o técnico exala otimismo nos microfones.

Como em 94, tudo leva a crer que, ao não armar uma equipe equilibrada, capaz tanto de defender bem quanto de atacar com inteligência e contundência, Dunga não resista à tentação de fechar-se em copas, como em 94, deixando para Robinho toda a tarefa de desfazer o nó lá na frente, já que ficou evidente a queimação dos únicos outros dois com habilidade suficiente para dividir essa missão com o menino-craque do Real.

Mesmo porque o regulamento entra em campo contra o Equador: um empatezinho maneiro haverá de garantir, no mínimo, um terceiro lugar passível de levar-nos à fase seguinte.

E, então, entramos no mata-mata, outra sedutora atração para um time que joga exclusivamente se defendendo e apostando no contragolpe fatal, quem sabe?

Espero que este meu nariz monumental esteja me pregando uma peça, e, que, no ar, paire apenas a fragrância da recuperação.

Porque se esse conceito se impuser, e, por um desses fados, o Brasil, jogando assim, levantar a taça na cara da tão decantada Argentina, o que não é impossível, embora improvável, corremos o risco de levarmos esse preceito às Eliminatórias, que é outro departamento, pois um campeonato de pontos corridos, todos contra todos, lá e cá, onde quase sempre vence quem joga melhor. 



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