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Helena Jr.: Frias, empresário vibrante e astuto

30/04 - 17:05 - Alberto Helena Jr.



Trabalhei sob o comando de Octávio Frias de Oliveira por três vezes, neste quase meio século de profissão - duas na Folha e uma na falecida Última Hora, que ele e Carlos Caldeira Filho haviam comprado de Samuel Wainer.

Foi nesse período (67/68), quando editava a Última Hora Dominical, primeiro jornal em off-sett e em cores do Brasil, que pude conviver diariamente com Frias (era assim que ele exigia ser chamado por seus funcionários).

E a impressão que me deixou não poderia ser mais perene: empresário vibrante e astuto, exibia um pensamento hígido, como sua impecável aparência, quase cirúrgico, rápido e, ao mesmo tempo, abrangente, que expressava com nitidez absoluta em falas vertiginosas.

Quase trinta anos de idade nos separavam, sem falar nas distâncias entre patrão e empregado, além das diferenças ideológicas, fosse no plano político, fosse no conteúdo e forma do jornal que ele estava lançando como laboratório para o novo sistema de composição e impressão destinado à Folha. Apesar disso, ou por isso mesmo, me impressionava o respeito com que ele aceitava e mandava tocar as idéias que contrariavam suas próprias convicções.

Quando houve a tragédia do restaurante Calabouço, dei a manchete "Rio de Sangue", que obviamente contrariou os militares. Jornal nas bancas, toca o meu telefone. É Cristina, sua secretária: “Seu Frias quer falar com você”. Segui para sua sala na certeza de que receberia o bilhete azul como prêmio pela ousadia num tempo de trevas. Frias me recebeu de pé, atrás de sua escrivaninha, e disparou: “Ô, professor! Neste negócio é preciso ter juízo, professor”. Depois de breve parada, completou: “Mas, a manchete está boa”.



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