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10/04 - 19:17 - Alberto Helena Jr.
A Federação diz que só vai se pronunciar depois da rodada desta quarta-feira, a derradeira da fase de classificação, embora seu presidente já tenha anunciado que os palcos para as decisões, por questão de segurança, serão o Morumbi e o Pacaembu, escudado no item do regulamento que confere à Federação o direito de determinar os locais desses jogos.
Contudo, no Bem Amigos, o técnico Luxemburgo, do Santos, levantou uma peninha: nesse mesmo regulamento, em outro item, consta que o melhor colocado tem o direito de mandante no segundo jogo.
A dedução lógica é a de que, no caso, o Santos, como mandante, mandaria seus jogos na Vila, assim como o São Paulo, no Morumbi, o São Caetano, no Anacleto, e assim por diante. Aliás, é o que seria, tecnicamente, o mais justo.
No entanto, a Federação pode perfeitamente dar outra interpretação ao termo mandante. Mandante não seria o que manda os jogos em seu próprio campo, mas, sim, aquele que tem direito á renda do jogo, que joga com seu primeiro uniforme, que escolhe e paga os gandulas, enfim, todos esses direitos e deveres pertinentes ao mandante.
Mas, o campo de jogo é da exclusiva competência da Federação, que, a seu bel prazer, pode considerar que tais estádios são seguros para jogos decisivos, tais, não.
Vejamos. O fato é que há séculos constata-se esse mesmo problema: regulamentos mal escritos, com artigos conflitantes ou passíveis de várias interpretações. Um vezo, aliás, que permeia toda a nossa legislação desde os tempos da Colonização
Em vez de elaborarmos leis claras, concisas, precisas, preferimos o rebuscar de textos dúbios, passíveis de várias interpretações, o que atola os tribunais brasileiros de questões à espera de juízo deste ou daquele magistrado.
Herança da prolixidade luso-ibérica, como querem alguns?
Também, mas, sobretudo, uma forma de cultivar no subtexto o tal jeitinho brasileiro, aquele que transforma as normas em facas de dois legumes, como diria nosso saudoso Vicente Matheus: tanto pode favorecer o querelante quanto atingi-lo em cheio nos seus direitos.
Regulamento de um torneio de futebol é simplesmente um contrato entre a Federação e os clubes. Como tal, deve ser explícito, compreensível e detalhista, evitando qualquer margem para esta ou aquela interpretação.
Qualquer rábula é capaz de cumprir tais exigências básicas.
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