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08/01 - 15:41 - Alberto Helena Jr.
Esse menino nasceu com a estrela na testa, disso já não tenho a menor dúvida.
Sim, sei bem que foram apenas três breves momentos que Alexandre Pato nos ofereceu como cartão de visita, muito pouco para se projetar em cima deles um futuro brilhante: aquele primeiro tempo mágico diante do Palmeiras, no Brasileirão; o gol no Mundial de Clubes e a decisiva participação na goleada dos meninos do Brasil sobre os chilenos, na estréia do Sul-Americano sub-20.
Em geral é assim. Mas, ouso dizer que não no caso de Pato, em cujo futebol se vislumbra claramente o craque de amanhã.
Trata-se de um centroavante que sabe jogar, driblar, passar, deslocar-se, cabecear e chutar com os dois pés, indistintamente, embora destro por natureza. Mais do que isso: tem aquele dom do artilheiro, a percepção do tempo certo do encontro marcado com a bola na cara do gol. E faz tudo isso com estilo, fronte erguida, peito estufado, pés no chão, num ar altivo mas nada arrogante.
Foi assim no seu primeiro gol, o terceiro do Brasil, quando, num átimo, bola cruzada rasteira na pequena área por William, antecipou-se aos beques e ao goleiro para tocar de letra, única e sábia alternativa que lhe restava no lance.
E foi assim no seu segundo gol, o quarto brasileiro, quando me fez passar pela memória, qual o vestido ligeiro do poeta, aquele gol de cabeça de Pelé contra a Suécia, na final da Copa de 58, que, depois de preparar a jogada pela meia-esquerda, deslocou-se para a grande área, acenando para Zagallo cruzar-lhe na cabeça fatal.
Não, não, pelo amor de Deus!, não se pode falar nesse país, que diabos! Não estou comparando, nem estou confundindo pato com ganso, ou seria melhor cisne, no caso? Só me lembrei do gesto, na hora, nada mais.
Mas, se Alexandre Pato nunca chegará ao pedestal de Pelé, pois isso é impossível, até prova em contrário, por certo atingirá os níveis mais altos de seu ofício, caso o destino não lhe queira mal.
Sei bem que o mundo é feito de esquinas e que por trás de cada uma há uma cilada armada, sobretudo, para quem ousa trilhar o caminho da glória.
Mas, as informações que nos chegam do Beira-Rio, berço de Alexandre, o menino tem a cabeça no lugar, é boa gente e articulado o suficiente para saber que tem o fogo sagrado em suas mãos – é iluminar-se ou queimar-se de vez.
Claro, haverá um tempo de breve depressão, nesse rito de passagem em que a promessa vira craque. Isso acontece com todos os mortais, craques ou não. Mas, com paciência e entrega, isso passa, e o menino vira homem, antes de se transformar em fera.
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