publicidade

ç Segundo

Home > Esportes > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Bola Virtual: Adeus Mineiro

04/01 - 15:00 - Alberto Helena Jr.



Mineiro, em três, quatro temporadas, deixou seu nome gravado na história do São Paulo. Não só porque quebrou um conceito arraigado nas duas últimas décadas no futebol brasileiro de que volante não pode ser volante, como define o termo (aquele que vai e vem – “vola”, voa, flutua), mas, sobretudo, porque esteve no centro das grandes conquistas do clube, com gols memoráveis, como o dos títulos mundial e brasileiro.

Mineiro, que é gaúcho, cumpriu ao longo de sua carreira o destino dos anônimos – pequeno, negro e feio, ao imprimir a seu futebol uma dinâmica incompatível com as regras gerais, segundo as quais, volante era apenas uma nomenclatura herdada do passado, posto que a camisa número 5 deveria ser vestida por um truculento bastião da grande área, um bate-estaca plantado à frente dos zagueiros, desafio o lugar-comum.

E, por isso, pagou o preço do ostracismo, praticamente jogando a vida toda em times de segunda, embora tenha vivido uma breve experiência na Seleção Brasileira de Leão, sob o nariz virado da maioria dos observadores.

Só no São Paulo conseguiu a projeção merecida. E retribuiu essa oportunidade com uma performance que entrou para a história do clube. E aí, na undécima hora, teve a chance de ir para o Mundial da Alemanha. (A propósito, se Parreira tivesse a ousadia rara de escalá-lo no jogo contra a França, com a determinação de colar em Zidane, duvido que o genial franco-argelino teria tanta liberdade de ação).

Foi a chance de Mineiro fazer seu pé de meia, dar aquele golpe financeiro que deixará sua bela mulher e divertido filhinho – conheci ambos no avião da volta da Copa da Alemanha – tranqüilos até o fim da vida.

A proposta do Tricolor era igualmente generosa, mas grana é grana. E a vida é uma só, como ensinava o Poetinha. Logo, resta desejar a Mineiro toa sorte do mundo no seu novo clube, que nem sei qual é. E o São Paulo? Bem, o Tricolor há de lamentar a perda, mas não muito. Pois, as alternativas para suprir a ausência de Mineiro não são tão desesperadoras.

Fala-se em Reasco. Talvez, quem sabe. É um jogador de semelhante porte físico, velocidade e empenho. Mas, se recuarmos no tempo um pouquinho, veremos que a dupla Josué e Souza chegou a dar a mesma consistência defensiva ao time e conferiu ainda mais dinamismo ao ataque. Tanto, que, quando ela se formou pela única vez no Brasileirão, o São Paulo meteu uma goleada de cinco num Vasco tido e havido como duro na defesa.

Mas, essas coisas quem decidirá é Muricy. Ou o destino.



US Multimídia


Publicidade


Enquete