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"Eu me processaria por este ato estúpido", diz Ronaldo sobre confusão com travestis

04/05 - 23:52 - Redação com agências



“Eu me processaria, minha consciência está ainda pesada por este ato estúpido”, declarou Ronaldo Fenômeno, 31 anos, que falou pela primeira vez, em entrevista concedida ao "Fantástico", sobre a confusão com três travestis na qual se envolveu na noite do domingo passado, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.


RIO DE JANEIRO - Segundo o atacante, ele “nunca” consumiu drogas e, naquela noite, tinha bebido um pouco, mas não o suficiente para alterá-lo. Ronaldo revelou ainda que tinha brigado com a namorada. Ele revelou também que chorou muito por causa do que aconteceu, inclusive, durante o depoimento, prestado dentro do carro para não se expor ainda mais.

Quando questionado sobre o que aconteceu naquela noite, o atacante do Milan, bastante abatido, disse fez uma grande besteira em sua vida pessoal. “Todos nós estamos sujeitos a errar. Cometi o grande erro de buscar este programa”, ressaltou.

Ronaldo contou que só quando chegou ao motel percebeu que eram travestis e quis voltar para a casa. “Foi um ato isolado, completamente estúpido de minha parte e estou envergonhado e arrependido”, disse.

Quando questionado se manteve ou não relações com os travestis, o jogador afirmou que não, destacando que é heterossexual. “Quanto a isso não há dúvida”, acentuou. “Não tive relação, porque na hora que percebi, não era o que eu buscava.”

Ronaldo falou sobre a consciência que tem sobre a repercussão mundial do caso, mas demonstrou satisfação com a condução do caso pela polícia. “Graças a Deus, tudo o que eu disse no meu depoimento está sendo comprovado. Parece que se trata de uma quadrilha que costuma fazer isso com pessoas famosas e anônimas”, disse.

De acordo com o jogador, ao perceber que se tratavam de travestis, ele quis terminar o programa, pagando o combinado. Duas aceitaram, mas a terceira não aceitou e começou a extorqui-lo para que não saísse nada na imprensa.

Ronaldo não pensa em processo contra os travetis.  “Eu me processaria, minha consciência está ainda pesada por este ato estúpido”, desabafou.

Sobre o uso de drogas, Ronaldo afirmou que nunca consumiu. “Continuo sendo um atleta, apesar de estar afastado para me recuperar da lesão”, esclareceu. Ele se recupera no Brasil de uma cirurgia após romper o ligamento do joelho esquerdo. O jogador relatou ainda que naquela noite tinha bebido um pouco após o jogo do Flamengo, mas não o suficiente para afetar seu discernimento.

“Foi um erro gravíssimo de minha parte ter buscado este programa, até porque eu tenho namorada, tinha”, disse Ronaldo batendo na tecla do arrependimento. Segundo ele, quando contou o que tinha acontecido para a namorada, Maria Beatriz. Ela xingou, mas depois o apoiou. “Para ela é difícil perdoar, mas mesmo ela me apóia”, disse o jogador que revelou que tinha se desentendido com a namorada. “Mas uma briga boba”.

Ronaldo tira uma lição do fato. “Isso também me aproxima das pessoas, porque como um jogador bem-sucedido, eu sou colocado em outra esfera, e sou um ser humano com fraquezas e medos”. Por outro lado, disse que sua imagem está manchada para sempre, mas que acha que o fato não vai atrapalhar sua atuação como embaixador da UNICEF ou no contratos de publicidade. “É como se um furacão tivesse passado e destruído a casa. Tenho que reconstruir a casa”, avaliou.

E se fossem prostitutas? “Na minha consciência estaria pesando do mesmo jeito e mesmo se não saísse em público”, declarou. “Eu sempre sofri com pré-julgamento das pessoas”, respondeu o jogador, lembrando notícias de possíveis namoradas ou grávidas de filhos dele que nunca nasceram.

O incidente

O atacante Ronaldo, do Milan, se envolveu em uma confusão com três travestis na noite do domingo (27), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e foi parar na delegacia.

O episódio aconteceu depois que o jogador foi à boate 021 para comemorar a vitória do Flamengo sobre o Botafogo, na primeira final do Campeonato Carioca. Segundo o delegado do caso, Carlos Augusto Nogueira, Ronaldo teria contratado uma garota de programa e ido para um motel na zona oeste do Rio. O jogador teria pedido mais duas mulheres, mas quando viu que eram travestis, teria decidido não mais fazer o programa e ofereceu R$ 1.000 para que cada um deles fosse embora sem divulgar o caso.

De acordo com a versão de Ronaldo, Andréia, um dos travestis, não aceitou a oferta e pediu R$ 50 mil para não contar a história à imprensa. O jogador afirmou ter ficado revoltado com a tentativa de extorsão e, após discussão ríspida com ele na porta do motel, a polícia foi chamada.  

Já o travesti André Luiz Ribeiro Albertino, que usa o nome de "Andréia Albertine", alegou que Ronaldo não teria pagado o valor combinado e de que existiam drogas no quarto do motel onde o jogador estava. Porém, a polícia informou que não foi encontrado nenhum tipo de entorpecente no local.

Ainda de acordo com o André, Ronaldo sabia que estava contratando os serviços de um homossexual na noite de domingo.

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