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Violência de torcidas organizadas mancha o futebol argentino

12/08 - 19:25 - EFE



Buenos Aires - A violência que rodeia o futebol argentino superou todos os limites, ao ponto das autoridades não terem encontrado outra alternativa além de suspender partidas para evitar brigas, ataques e mortes.

Foi o que aconteceu hoje, quando não foi disputado o jogo entre River Plate e Newell's Old Boys, pela segunda rodada do Torneio Apertura do Campeonato Argentino.

Os torcedores violentos, que por meio da força participam ilegalmente do futebol, conseguem obter mais destaque na imprensa que os próprios jogos e geram medo naqueles que freqüentam os estádios.

Nos últimos dias, as fotos de líderes destes grupos usando as camisas das equipes mais populares do país e diversas crônicas sobre suas formas de agir acabaram ofuscando na imprensa as matérias sobre jogadores, partidas e gols.

A disputa da liderança pela torcida organizada do River Plate levou à morte de Gonzalo Acro, de 29 anos, em uma ação que põe novamente em evidência a existência de códigos mafiosos entre grupos de "torcedores".

Mesmo os que estão presos acabam sendo vítimas da violência, como aconteceu com Rafael Di Zeo, líder da torcida organizada do Boca Juniors, condenado a quatro anos e três meses de prisão, e que, segundo a imprensa, foi atacado recentemente por outros detentos e ferido a punhaladas.

Após a morte de Acro, na última quarta, aumentaram as ameaças de vingança que também foram direcionadas à imprensa, e no enterro do jovem, vários jornalistas presentes no local ficaram feridos.

O governo tentou montar uma gigantesca operação de segurança para o jogo de hoje, mas o Ministério do Interior concluiu que isto não seria possível e a partida no estádio do River Plate foi suspensa.

Os torcedores violentos obtêm renda com a venda de ingressos das partidas e espetáculos artísticos montados nos estádios, com exploração dos estacionamentos e, segundo versões da imprensa, recebendo porcentagens das transferências de jogadores.

O dirigente do River Plate Daniel Kipper, opositor ao presidente do clube, José María Aguilar, afirmou nesta semana que "casualmente" ocorrem fatos violentos "cada vez que se vende um jogador", em referência à transferência do goleiro Juan Pablo Carrizo para a Lazio por cerca de US$ 10 milhões.

Kipper afirmou que o mesmo aconteceu quando o clube vendeu parte do passe do atacante Gonzalo Higuaín para um grupo de investidores, jogador que depois foi contratado pelo Real Madrid.

Aguilar, que se negou a fazer declarações públicas após a morte de Acro, é apontado por seus opositores e por parte da imprensa como o protetor dos torcedores violentos.

O River Plate tinha adiado a partida da primeira rodada contra o Gimnasia y Esgrima de Jujuy e, após a suspensão do jogo de hoje, começará a participar do Apertura apenas no próximo domingo, contra o San Lorenzo.



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