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A prioridade de Nenê agora é maior que o basquete

16/01 - 16:51 - Fábio Sormani, especial para o iG Esportes



Agora não há mais o que se especular. Todos sabemos que o mal que angustiava Nenê era um tumor no testículo. Era, eu disse, porque, felizmente, foi detectado a tempo e a tempo removido.

A torcida agora é para que Nenê se recupere. Primeiro, para a vida; depois, para o basquete.

Faço coro com Allen Iverson, seu companheiro de Denver: “Essa coisa toda é muito maior do que basquete. Isso é sobre a vida”.

Num primeiro momento, ao falar-se em tumor, logo vem à mente o câncer. Mas ainda não sabemos se esse tumor é maligno ou benigno. O resultado da biópsia será conhecido até o final da semana.

Mesmo que o pior aconteça, a chance de sobrevida é enorme. Passa dos 90%, segundo os especialistas, especialmente nos casos onde é detectado precocemente. E foi o que aconteceu com Nenê.

Duas são as variáveis neste caso: a) tumor benigno; b) tumor maligno.

Se for benigno, o grande exemplo a ser citado é o do goleiro espanhol Francisco Molina. Em 14 de outubro de 2002, quando defendia o La Coruña, foi diagnosticado com um tumor no testículo, como Nenê. Assim como o brasileiro, descoberto precocemente. Sabe quanto tempo Molina precisou para se recuperar e voltar a jogar? Três meses! Isso mesmo, três meses.

Outro jogador de futebol acometido do mesmo mal foi o atacante búlgaro Lubo Penev. Jogava também na Espanha, no Valência, quando foi surpreendido pela doença. O tempo de recuperação, um pouco maior: oito meses. Com isso, deixou de disputar a Copa do Mundo dos EUA, em 1994, é verdade, mas voltou a jogar bola.

O caso do ciclista Lance Armstrong é o mais conhecido e comentado de câncer no testículo. Assim como Nenê, Armstrong tinha apenas 25 anos quando descobriu o problema. Ele preenche a alternativa b, do tumor maligno.

Não foi diagnosticado em fase inicial e houve metástase; ou seja, espalhou-se para outros órgãos do corpo, como o pulmão e o cérebro. Os médicos, à época (outubro de 1996), chegaram a dizer que ele tinha apenas 40% de chance de sobreviver. Passou maus bocados, tendo extraído um tumor do cérebro e retirado um dos testículos. Em outubro de 1997, exatos doze meses depois, Armstrong, que hoje tem uma fundação que luta contra o câncer, voltava a sentar-se em um selim de bicicleta. E em grande estilo, tendo vencido sete vezes consecutivas o Tour de France, a prova mais importante do ciclismo mundial.

De acordo com o National Câncer Institute, dos EUA, cerca de 7.920 homens são diagnosticados anualmente com câncer de testítulo. Apenas 380 morrem. Ou seja, 4,8%.

Portanto, a esperança é grande. Pela vida e, depois, pelo basquete de Nenê.




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