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Federer segue como rei do tênis no ano em que Agassi disse adeus

28/12 - 12:15 - EFE



Redação central, 28 dez (EFE).- O suíço Roger Federer permaneceu no topo do tênis profissional masculino durante todo o ano de 2006, que marcou o adeus do americano Andre Agassi, um dos grandes nomes da história do esporte.

A boa campanha de Federer é definida por seus números. Em 17 torneios, ele só esteve ausente da decisão do Masters Series de Cincinnati, com direito a salvar match points contra o espanhol Juan Carlos Ferrero em Dubai e o americano Andy Roddick na Masters Cup de Shangai - torneio que acabaria em suas mãos.

Foram 92 vitórias e apenas cinco derrotas - quatro para o espanhol Rafael Nadal, segundo do mundo e que permaneceu como único a tentar desbancá-lo do topo, e uma ante o escocês Andy Murray.

Terminar como número um na Corrida dos Campeões e no Ranking de Entradas da ATP foi uma proeza não muito difícil de ser repetida.

Federer só teve seu serviço quebrado dez vezes e acabou com um recorde de 8.370 pontos.

A vantagem é tão grande que o suíço romperá a marca do americano Jimmy Connors de semanas consecutivas à frente do ranking mundial (160) em 26 de fevereiro de 2007, mesmo que perca todos os jogos que disputará até lá.

Vencedor de 12 títulos - entre eles quatro Masters Series -, ele foi o único na história a levar dez ou mais torneios durante três temporadas consecutivas. Outra marca importante foi a sexta participação consecutiva em finais de etapas do Grand Slam, ao conquistar o título do US Open - desempenho obtido apenas pelo australiano Rod Laver entre 1961 e 62.

E foi justamente o complexo de Flushing Meadows, em Nova York, que acabou como palco da despedida de uma das grandes lendas do tênis: o americano Andre Agassi.

O tenista, de 36 anos, deu adeus às competições profissionais ao perder para o alemão Benjamin Becker por 5/7, 7/6(7-4), 4/6 e 5/7, pela terceira rodada do US Open.

Em 21 anos de carreira, Agassi conquistou 60 títulos em 90 finais disputadas. No US Open, o jogador - que é marido de outra grande estrela, a ex-tenista alemã Steffi Graf - foi campeão duas vezes, em 1994 e 1999.

O primeiro título do americano foi vencido em quadras brasileiras no ano de 1987, quando um menino cabeludo e com ares de rebelde levantou o título do ATP de Itaparica, na Bahia, superando Luiz Mattar, então número 1 do país.

Nascido em 29 de abril de 1970 em Las Vegas, no estado de Nevada, Agassi tornou-se um dos atletas mais populares da história do tênis.

Fora das quadras, ficou famoso por seu estilo de vida irreverente e suas relações amorosas - a com a atriz Brooke Shields, na mesma época em que caiu demais no ranking, foi a mais acompanhada pela imprensa.

Em ação, o tenista teve uma das carreiras mais vitoriosas do esporte. Foi um dos cinco jogadores a conquistar todos os quatro torneios do Grand Slam - ao lado de Don Budge, Roy Emerson, Rod Laver e Fred Perry.

Além dos dois títulos do US Open, o americano foi quatro vezes campeão do Aberto da Austrália (1995, 2000, 2001 e 2003), e uma em Wimbledon (1992) e Roland Garros (1999).

Em 1995, terminou o ano como número um do mundo. Dois anos depois, uma seqüência de maus resultados o levou à posição 141 no ranking. Em 1999, voltou ao topo da lista.

Recentemente, dores na coluna e nos quadris haviam tirado Agassi de diversas competições. A situação fez com que ele anunciasse, ainda em Wimbledon, que o Grand Slam nos Estados Unidos deste ano seria seu último torneio.

Agassi não conteve as lágrimas já no último ponto da partida, fechada pelo alemão com um ace. Após cumprimentar Becker, o americano ficou por mais de cinco minutos sentado na cadeira e chorando desconsoladamente, enquanto os espectadores o aplaudiam de pé.

Na entrevista, Agassi voltou a chorar e agradeceu aos torcedores pelo apoio durante seus 20 anos de carreira - sem contar com este - como profissional. "Sempre terei vocês no meu coração", disse o americano, que certamente estará na memória de todos os fãs do esporte.

Voltando à temporada deste ano, Nadal mostrou que está na briga pelo topo do ranking. Ele faturou cinco títulos este ano - entre eles seu segundo em Roland Garros - e chegou à final em Wimbledon, algo inesperado na sua carreira.

O melhor representante do tênis latino-americano foi o argentino David Nalbandian, que defendeu seu título até cair nas semifinais, e ainda ajudou a Argentina a chegar à final da Copa Davis.

Nalbandián, venceu o torneio de Estoril e acabou semifinalista nos Masters Series de Madri, Miami, Roma, no Aberto da Austrália e em Roland Garros, dando uma autêntica lição de regularidade que o levou a acabar como oitavo do mundo.

Para o Brasil, 2006 foi desastroso. O time chegou a disputar a repescagem por uma vaga no Grupo Mundial da Copa Davis, mas foi arrasado pela Suécia em plena Belo Horizonte e terá de esperar mais um ano para lutar novamente.

De quebra, Fernando Meligeni, que esteve à frente da campanha que tirou o país do buraco da terceira divisão, pediu demissão do cargo de capitão por não concordar com a postura da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

Entre os jogadores, nada a comemorar: será a primeira vez em muitos anos que o país não terá nenhum nome entre os cem primeiros do mundo - o melhor foi Thiago Alves, na 106ª posição do Ranking de Entradas. Para o futuro, a esperança é Nicolas Santos, medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Buenos Aires.

A final da Copa Davis foi disputada entre Rússia e Argentina, em Moscou, e acabou com vitória dos anfitriões por 3 a 2. O terceiro ponto russo foi obtido por Marat Safin, que bateu José Acacuso na quinta partida da final por 6-3, 3-6, 6-3 e 7-6 (7-5).

O tenista russo acabou retornando ao topo do mundo do tênis após um longo período de recuperação de uma lesão que o fez pensar em deixar o esporte.

O duelo entre Safin e Acasuso foi realizado após o David Nalbandián, derrotar Nikolay Davydenko, melhor tenista russo da atualidade, por 6-2, 6-2, 4-6 e 6-4.

Nas duplas, os russos Dmitry Tursunov e Marat Safin bateram Nalbandián e Agustín Calleri por 6-2, 6-3 e 6-4.

Na sexta, Safin perdera para Nalbandián por um triplo 6-4, tirando um pouco do brilho da vitória de Davydenko sobre Juan Ignacio Chela por 6-1, 6-2, 5-7 e 6-4 no primeiro jogo da série.

Entre as mulheres, a luta entre três jogadoras para acabar em primeiro do mundo foi destaque no fim da temporada. E a vencedora foi quem mais mereceu: a belga Justine Henin-Hardenne, que participou das quatro finais do Grand Slam e ganhando apenas Roland Garros, mas somando seis títulos no total - entre eles o Masters da WTA, em Madri.

Foi também o ano em que a francesa Amélie Mauresmo, até então eterna favorita a um título no Grand Slam, ganhou seus primeiros no Aberto da Austrália e Wimbledon. Ela ficou à frente do ranking até o fim do ano, quando Henin-Hardenne tomou o posto.

Com cinco títulos, a russa Maria Sharapova, vencedora do US Open, se encarregou de confirmar seu status. Ela e sua compatriota Nadia Petrova, também com igual número de troféus, fizeram de 2006 um dos anos mais equilibrados do circuito feminino. EFE mlm dp



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