Reformas levam à abertura de novos restaurantes em Cuba

Das 35 mil licenças de trabalho autônomo que foram aprovadas desde setembro, cerca de 20% foram para o setor de alimentos

Reuters |

No passado quase sufocados por regulamentação e tabus ideológicos, os pequenos restaurantes particulares de Cuba estão se multiplicando em um ambiente mais aberto ao mercado, fomentado pelas reformas econômicas do presidente Raúl Castro.

Novos restaurantes, cafés e barracas de fast-food estão surgindo em varandas e salas de estar em toda a ilha. Interessados em ganhar mais dinheiro, os cubanos estão começando a mudar a paisagem urbana do país, de regime comunista.

O governo disse que cerca de 35 mil licenças de trabalho autônomo foram aprovadas no primeiro mês desde que as reformas entraram em vigor, em setembro, e cerca de 20% delas foram para negócios do setor de alimentos.

A maioria será de empreendimentos pequenos voltados à clientela cubana, mas a expectativa é de que também aumente o número de restaurantes - chamados "paladares" - mais caros e frequentados por estrangeiros dotados de divisas.

A criação de restaurantes pequenos foi autorizada durante um experimento breve na década de 1990, mas a regulamentação excessiva e o estigma ideológico - eram vistos como excessivamente capitalistas - levaram a maioria a fechar.

Apenas cerca de 100 em estimados 1,5 mil restaurantes sobreviveram. Essa situação pode mudar agora, já que o governo tomou medidas para incentivar as empresas privadas, reconhecendo sua importância no novo quadro econômico.

Raúl prevê que o setor privado absorva muitos dos trabalhadores que serão demitidos quando o Estado, em um esforço para reduzir custos, cortar até abril 500 mil empregos.

Depois de passar décadas trabalhando em restaurantes estatais, o chef Justo Pérez abriu seu restaurante na semana passada no centro de Havana.

As paredes do estabelecimento, o La Comercial Cubana, têm fotos em preto e branco de Nat King Cole, Carmen Miranda e Celia Cruz, evocando o glamour de Havana nos anos 1940 e 1950. Os clientes podem saborear pratos como porco assado à moda crioula, por US$ 7,56, e camarão à crioula, que custa US$19,44 - aproximadamente metade de um salário mensal médio cubano.

As mudanças principais nas normas são que hoje os empreendedores cubanos podem alugar imóveis para fins comerciais e contratar funcionários, coisas que antes eram proibidas e limitavam o sucesso dos restaurantes.

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