Raúl Castro elimina o histórico Ministério do Açúcar

Medida faz parte de reestruturação para tornar eficiente setor estagnado que já foi motor da economia da ilha

iG São Paulo |

O presidente de Cuba, Raúl Castro, suprimiu o Ministério do Açúcar como parte de uma ampla reestruturação para tornar eficiente esse setor estagnado que já foi motor da economia da ilha, informou nesta quinta-feira o jornal Granma (oficial).

Em uma reunião do Conselho de Ministros (Gabinete), encabeçada por Raúl, "foi tomada a decisão de extinguir o Ministério do Açúcar, pois atualmente não cumpre com nenhuma função estatal", afirmou um relatório do órgão de imprensa do Partido Comunista (PCC).

Para substituir o ministério, surgido em 1964, o governo criou o Grupo Empresarial da Agroindústria Açucareira para que se torne eficiente e tenha capacidade de "produzir com suas exportações divisas para financiar os gastos próprios", indicou o jornal.

Entre as principais mudanças no setor, destacam-se a organização da base produtiva em unidades mais eficientes e a concentração em 13 empresas provinciais das centrais açucareiras, de um total de 61 que atualmente cuidam da safra.

A reestruturação do setor começou em 2008 como parte de um vasto plano de reformas impulsionado por Raúl para tornar eficiente o esgotado modelo econômico cubano, de corte soviético. A indústria açucareira foi durante anos a coluna vertebral da economia da ilha, mas desabou depois do desaparecimento do bloco soviético nos anos 90 e, das 8,2 milhões de toneladas por safra, caiu a pouco mais de 1 milhão.

Comércio de carros

A eliminação do ministério foi anunciada um dia depois de o governo ter autorizado oficialmente a compra e a venda de carros para todos os cidadãos, tipo de comércio que estava havia mais de 50 anos sob fortes restrições, uma das medidas mais esperadas das reformas.

AP
Carro clássico americano passa em frente de escritório onde se vê bandeira cubana em Havana
A medida havia sido anunciada primeiramente em abril, mas as vendas não foram legalizadas até que o decreto, que entrará em vigor a partir de 1º de outubro, fosse publicado nesta quarta-feira na Gazeta Oficial. Até agora, os cubanos podiam apenas transferir a propriedade de carros fabricados antes de 1959, ano da revolução que levou Fidel Castro ao poder. Por essa razão, é possível encontrar circulando nas ruas de Cuba diversos modelos de carros americanos dos anos 1950.

Fidel responde a Obama

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou em um novo artigo divulgado nesta quinta-feira que "muitas coisas mudarão em Cuba", mas sem a interferência dos EUA, que talvez tenham seu "império" derrubado antes.

"Muitas coisas mudarão em Cuba, mas mudarão por nosso esforço, e apesar dos EUA. Talvez esse império seja derrubado antes", escreveu em resposta ao presidente americano, Barack Obama, que na quarta-feira afirmou que "é o momento para que aconteça algo em Cuba", visto que em países do Oriente Médio surgiram movimentos rumo à democratização .

Segundo Obama, os EUA não viram por enquanto "um genuíno espírito de transformação dentro de Cuba" que justifique a eliminação do embargo, acrescentando que, "se o governo cubano adotar medidas em direção à democracia e o respeito aos direitos humanos", seu país estará aberto a uma "nova relação".

"Que simpático! Que inteligente! Tanta bondade não o permitiu compreender ainda que 50 anos de bloqueio e de crimes contra nossa pátria não puderam dobrar nosso povo", ironizou Fidel na última de suas "Reflexões", intitulada "A vergonha supervisionada de Obama".

O novo artigo é o terceiro publicado por Fidel em menos de uma semana após uma interrupção de quase três meses, que deu origem a rumores sobre seu estado de saúde .

*Com AFP e EFE

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