Nomeação de Raúl Castro e Ramón Machado Ventura para secretarias do PCC frustram expectativa por renovação política

Fidel e Raúl Castro participam de Congresso dO Partido Comunista em Havana, capital de Cuba
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Fidel e Raúl Castro participam de Congresso dO Partido Comunista em Havana, capital de Cuba

O presidente de Cuba, Raúl Castro, foi escolhido primeiro secretário do Partido Comunista do país, passando a ocupar a vaga que era de seu irmão, Fidel, desde a fundação do PCC, em 1962. Citando motivos de saúde, Fidel renunciou oficialmente ao cargo em meio ao 6º Congresso do partido, que começou no sábado e foi concluído nesta terça-feira.

A segunda secretaria, que foi ocupada por Raúl nos últimos 46 anos, ficará a cargo do ex-ministro da Saúde Ramón Machado Ventura, 80 anos. A escolha de Ventura, que é integrante do escritório político do PCC desde sua fundação, frustrou expectativas por uma renovação no ambiente político cubano.

Ventura era o único dos revolucionários originais no páreo pela vaga. Segundo analistas ouvidos pelo iG , os principais representantes da renovação seriam o ex-ministro das Finanças, Marino Murillo Jorge, 50 anos, convertido em 2009 no principal responsável pela execução do plano de reformas econômicas em análise pelos delegados do congresso, e o primeiro-secretário do PCC na província de Santiago, Lázaro Esposito.

A terceira secretaria ficou com o vice-presidente Ramiro Valdés, 78 anos, e integrantes mais jovens do partido incluídos entre outros 15 cargos menos importantes.

A escolha dos novos integrantes do Escritório Central do Partido marcou o encerramento do congresso, o primeiro em 14 anos. A cerimônia foi acompanhada por Fidel Castro, que foi ovacionado ao chegar ao centro de convenções na capital cubana, Havana. Ele caminhou com a ajuda de um assistente e permaneceu ao lado do irmão durante a execução do hino nacional cubano.

Reformas

Fidel renunciou oficialmente ao cargo horas depois de o Partido Comunista ter anunciado um plano de reformas econômicas com as quais Raúl Castro pretende ''atualizar'' o modelo socialista do país. O plano de reformas ainda não foi detalhado, mas, se implementado na íntegra, significará uma mudança sem precedentes desde a tomada de poder pelos revolucionários comandados por Fidel, em 1959.

O documento original continha 291 itens mas foi modificado em 68%, segundo Raúl. Acredita-se que entre as medidas aprovadas esteja a permissão para que, pela primeira vez desde a Revolução, cubanos possam comprar e vender imóveis. Até agora, só era permitido passar propriedades para os filhos ou trocá-las através de um sistema complicado e muitas vezes corrupto.

No texto original também estavam previstas mudanças inéditas como a permissão para o funcionamento de empresas de capital misto, fim de subsídios na área social como a “libreta de abastecimento”, além de uma reformulação do conceito de socialismo que abre mão do igualitarismo em função da igualdade de oportunidades e direitos.

O documento deve ser publicado nesta terça-feira e, segundo a resolução da comissão, defende a adoção de medidas de mercado para a manutenção do sistema socialista da ilha.

O texto foi aprovado pela comissão de política econômica e social, presidida pelo ex-ministro das Finanças e principal mentor das mudanças, Mariano Murillo, um dos nomes emergentes na política cubana.

Com reportagem de Ricardo Galhardo, enviado a Havana, Cuba

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