Oposição cubana denuncia 150 detenções antes da visita do papa

Comissão diz que detenções ocorreram nos últimos quatro dias para impedir que ativistas protestem durante visita de Bento 16

AFP |

Um grupo opositor cubano denunciou nesta segunda-feira que pelo menos 150 dissidentes foram detidos nos últimos dias para impedir que protestem durante a visita do papa Bento 16, que desembarcou nesta segunda-feira em Santiago de Cuba .

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"A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional pode confirmar que o número de detidos nos últimos quatro dias é de pelo menos 150 dissidentes pacíficos", disse o presidente da Comissão, Elizardo Sánchez. "São detenções preventivas", declarou.

Além disso, "um número parecido foi proibido de sair de suas casas ou de assistir às missas ou recepções do papa nos lugares que ele percorrerá", acrescentou o líder da comissão, que é ilegal, mas tolerada pelo governo comunista.

Proveniente do México, Bento 16 chegou à ilha para uma visita que se prolongará até a quarta-feira, durante a qual celebrará duas missas campais, em Santiago de Cuba (sudeste) e Havana. O Vaticano descartou um encontro do pontífice com opositores, que o governo considera "mercenários" dos EUA.

As autoridades cubanas não informaram sobre as prisões, mas alertaram no começo de março que não admitiriam protestos durante a visita e nas convocações pelos bairros para assistir às missas. Também pediram para que os cubanos não carreguem cartazes políticos nem gritem palavras de ordem.

Em Cuba, a Igreja Católica é minoritária, mas, na ausência de qualquer oposição legal, exerce o papel de interlocutora privilegiada frente ao regime comunista. No domingo, Sánchez havia denunciado a prisão de 70 opositores em Santiago de Cuba, primeira escala do papa na ilha, incluindo 15 Damas de Branco, grupo formado em 2003 por mulheres e familiares de presos políticos, que foram libertados entre 2010 e 2011.

Cerca de 50 presos políticos ainda são mantidos nas prisões cubanas, segundo a Comissão de Direitos Humanos. O ex-preso político José Daniel Ferrer disse domingo em Santiago de Cuba que as operações policiais no leste da ilha começaram "na terça-feira".

"O governo quer ter um controle total do ambiente em torno redor das missas (do papa)", afirmou Ferrer. No domingo, em Havana, 35 Damas de Branco participaram da habitual passeata semanal pela Quinta Avenida de Miramar, depois de assistir à missa na paróquia de Santa Rita, que terminou pacificamente.

Na passeata anterior, domingo, dia 19 de março, 50 de Damas de Branco, incluindo a líder Berta Soler, tinham sido detidas e liberadas horas mais tarde.

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