Justiça americana absolve cubano ex-agente da CIA

O anticastrista Luis Posada Carriles, 83 anos, livrou-se de 11 acusações sobre perjúrio e fraude na imigração

AFP |

O ex-espião cubano da Agência Central de Inteligência (CIA) Luis Posada Carriles, 83 anos, um anticastrista radical, foi declarado inocente, nesta sexta-feira, de 11 acusações que pesavam contra ele, em um julgamento realizado em El Paso, no Texas.

Ele é apontado por Venezuela e Cuba pela prática de vários atentados terroristas, sendo considerado por Havana o homem que, durante anos, tentou matar Fidel Castro.

AP
Foto de abril de 2011 mostra Luis Posada Carriles em hotel de El Paso, no Texas
Aos 83 anos, Posada Carriles foi considerado inocente nesta sexta-feira de 11 denúncias de perjúrio e fraude na imigração. O ativista é fugitivo da Justiça venezuelana, onde foi incriminado pela explosão de um avião comercial cubano que havia decolado de Caracas, em 1976. A ação deixou 73 mortos. Havana atribui a ele um longo rosário "terrorista", incluídos ataques a bombas a hotéis na capital cubana, em 1997, nos quais morreu um turista italiano.

Nascido na cidade de Cienfuegos, Cuba, em 15 de fevereiro de 1928, Posada Carriles se opôs ao governo da Revolução Cubana desde o começo e fugiu do país para os Estados Unidos, onde ocupou um papel importante entre o exilados cubanos de Miami.

Em 1961, alistou-se como voluntário para invadir a ilha através da Baía dos Porcos, uma ação patrocinada pela CIA, embora não tenha chegado a entrar em combate porque a invasão foi logo impedida pelas forças cubanas. Dois anos depois, ingressou no Exército americano, onde foi treinado em operações de inteligência.

A CIA apoiava, então, os esforços dos exiliados cubanos para derrotar o governo comunista de Fidel Castro, quadro que mudou depois da frustrada invasão da Baía de Porcos e da Crise dos Mísseis com a União Soviética em 1962.

Tensão

Durante a Guerra Frtia, Posada Carrilles continuou sendo um homem importante para os Estados Unidos e um fator de tensão permanente na relação com Cuba. Documentos americanos demonstram que Posada Carriles trabalhou para a CIA desde 1965 até junho de 1976.

Parte da documentação desarquivada pela CIA, e divulgada em agosto de 2009 pelo Arquivo de Segurança Nacional americano (NSA, na sigla em inglês), diz que Posada Carriles ofereceu à agência nos anos 60 seus serviços para dirigir grupos de exilados que realizariam ações militares contra o governo cubano.

Segundo o governo de Havana, Posada planejou assassinar Fidel Castro durante uma visita do líder cubano ao Chile, em 1971. Em 2005 Posada foi detido nos Estados Unidos por suspeita de fraude para a obtenção da cidadania, acusações das quais foi absolvido nesta sexta-feira.

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