Jimmy Carter visita americano preso em Cuba

Alan Gross foi condenado a 15 anos de prisão por crimes contra segurança do Estado, depois de uma visita de três dias pela ilha

iG São Paulo |

O ex-presidente americano Jimmy Carter visitou nesta quarta-feira o americano Alan Gross, condenado em Cuba a 15 anos de prisão por crimes contra a segurança do Estado, ao fim de uma visita de três dias à ilha.

"Pude me encontrar com Alan Gross, um homem que, a meu ver, é inocente e deve ser libertado", disse Carter em entrevista à imprensa. O ex-presidente americano, de 86 anos, disse esperar a possibilidade "de um indulto ou libertação de Gross por motivos humanitários".

AFP
Raúl Castro (E) esteve com Carter nesta quarta-feira em Havana
Gross foi detido em Havana no dia 3 de dezembro de 2009 quando, segundo o próprio presidente Raúl Castro, distribuía "sofisticados meios de comunicação" a opositores, cumprindo seu papel de "agente secreto" dos Estados Unidos.

Washington diz que ele é empregado da empresa terceirizada Development Alternatives (DAI), contratada pelo Departamento de Estado para ajudar a comunidade judaica em Cuba a se comunicar com o exterior dando-lhe celulares e computadores. A comunidade, no entanto, nega ter mantido qualquer contato com ele.

Também nesta quarta-feira, Carter se reuniu com opositores cubanos que pediram ajuda para que Cuba alcance liberdades e avance no respeito aos direitos humanos.

Carter, que conclui nesta quarta uma visita privada de três dias, se reuniu com vários ex-presos políticos, integrantes das Damas de Branco, blogueiros como Yoani Sánchez e outros dissidentes, em um hotel do centro histórico de Havana.

Yoani Sánchez, crítica do governo no blog "Generación Y", disse ter falado com Carter sobre a necessidade de liberdade de expressão e da internet para os cubanos. O opositor Oswaldo Payá, Prêmio Sakharov 2002, comentou ter discutido com toda clareza que a alternativa para Cuba "são os direitos e eleições livres".

O ex-presidente americano se reuniu na véspera com o presidente Raúl Castro, a quem reiterou sua disposição para dialogar em igualdade com Washington para normalizar as relações bilaterais.

Missão

Nove anos depois de sua primeira visita a Cuba, o ex-presidente, de 86 anos, chegou a Havana na companhia de sua mulher Rosalynn, em missão não governamental.

O Centro Carter anunciou que a viagem tem um caráter "privado", com o objetivo de obter informações sobre as reformas econômicas impulsionadas por Raúl Castro e analisar caminhos para diminuir a confrontação entre ambos os países, em relações diplomáticas desde 1961.

Apesar de ter havido uma trégua quando Barack Obama chegou ao poder em 2009, o conflito voltou a ocorrer no caso Gross, preso em dezembro desse mesmo ano e condenado no último 12 de março a 15 anos de prisão, acusado de desenvolver um plano de redes de informática clandestinas para socavar o governo comunista.

Mesmo não estando em Cuba em missão oficial, o governo de Obama e a família Gross disseram esperar que Carter, conhecido por seu talento de negociador, busque uma libertação "humanitária" do americano, de 61 anos, e que enfrenta problemas de saúde.

A viagem de Carter coincide com a conclusão de um processo de cerca de 500 opositores condenados em 2003, resultado de um inédito diálogo instalado em maio de 2010 entre Raúl Castro e o cardeal Ortega.

*Com AFP

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