Fidel delega suas atribuições como chefe comunista em Cuba

Há especulação de que líder cubano se afastará oficialmente da liderança do Partido Comunista em eventos marcados para 2011

iG São Paulo |

O ex-presidente cubano Fidel Castro disse que "não está em condições" de continuar ocupando a direção do Partido Comunista e delegou suas atribuições, informou a mídia oficial na quinta-feira, sugerindo que ele poderá renunciar a seu último posto de liderança.

AP
Em foto do site Cubadebate, o líder cubano Fidel Castro (à dir.) é cumprimentado por um estudante na Universidade de Havana ao receber quadro com sua imagem mais novo
Fidel, de 84 anos, afastou-se interinamente da presidência em 2006 - renunciando oficialmente em 2008 -, por questões de saúde, mas se manteve no influente cargo de primeiro-secretário do governista Partido Comunista, o único permitido em Cuba.

Durante um encontro na quarta-feira com estudantes, ele indicou, contudo, que não se reunia com eles como líder do Partido Comunista.  "Fiquei doente e fiz o que devia fazer: deleguei minhas atribuições. Não posso fazer algo que não estou em condições de me dedicar todo o tempo", disse Fidel, segundo o jornal oficial Granma.

O Partido Comunista fará em abril de 2011 um adiado congresso onde aprovará um plano de reformas econômicas impulsionadas por seu irmão e sucessor, o presidente Raúl Castro. Um encontro separado da legenda, chamado de Conferência do Partido, também ocorrerá em algum momento de 2011, e há especulação de que Fidel pode usar uma das duas ocasiões para afastar-se oficialmente da liderança do Partido Comunista.

O líder cubano também disse que está feliz com o rumo que Cuba está tomando sob a liderança de Raúl, em suas declarações mais explícitas feitas até agora sobre as modificações econômicas pelas quais a Ilha está passando. "Estou contente, porque o país está seguindo adiante apesar de todos os desafios", disse.

Após sua doença em 2006, Fidel reapareceu publicamente em julho deste ano. Nas aparições, porém, ele raramente abordou os atuais eventos de Cuba, preferindo alertar sobre uma suposta guerra nuclear entre os EUA e Israel contra o Irã.

Parte do encontro com os estudantes foi transmitida pela televisão nacional na quarta-feira, mas não os comentários de Fidel sobre seu irmão ou sobre sua decisão de delegar suas atividades oficiais.

Desde que assumiu interinamente o poder em 2006, Raúl alertou que o Estado não pode mais pagar funcionários improdutivos e deve cortar muitos dos subsídios com os quais os cubanos se acostumaram. Em setembro, o governo anunciou que demitirá até abril 500 mil empregados - 10% da força de trabalho -, enquanto permitirá a muitos deles trabalhar em um expandido setor privado.

*Com Reuters e AP

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