Fidel Castro renuncia oficialmente a cargo no Partido Comunista

Ex-presidente diz aprovar reforma proposta pelo irmão, Raúl, durante Congresso do PCC em Havana

Ricardo Galhardo, enviado a Havana, Cuba |

Reuters
Foto distribuída pela imprensa oficial cubana mostra Fidel Castro analisando candidatos ao Escritório Central do Partido Comunista (18/04)
O ex-presidente cubano Fidel Castro renunciou oficialmente ao cargo de primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, que ocupava desde sua criação, em 1962.

Em artigo publicado nos veículos oficiais de imprensa, Fidel afirma que renuncia devido à sua fragilidade física. “Raúl (Castro, irmão de Fidel e atual presidente de Cuba) sabia que eu não aceitaria na atualidade nenhum cargo”, diz o artigo.

Era o último cargo oficial de Fidel na hierarquia da ilha. A partir de agora o “comandante em chefe” das forças revolucionárias se dedicará a ser um “soldado das idéias” se limitando a escrever suas reflexões publicadas quase que diariamente na imprensa cubana.

Na manhã desta terça-feira o Comitê Central do PC se reúne para escolher os novos integrantes do Escritório Central, entre eles o novo número 2 do partido que em 50 anos de existência sempre teve os irmãos Castro nos dois cargos mais importantes. A expectativa é pela escolha de um nome que represente a renovação do ambiente político cubano.

Fidel, que também passou 50 anos na presidência do país (cargo ao qual renunciou em 2008 por motivos de saúde), aprovou a proposta de Raúl de limitar em dois mandatos de cinco anos o tempo em cargos políticos e administrativos. “Me agradou a idéia. Era um tema sobre o qual havia meditado muito”, disse.

Apesar disso, Fidel, de 84 anos, confessa nunca ter se preocupado com o tempo em que ficaria no poder e que não esperava viver tanto.

Reformas

A decisão de Fidel foi informada horas depois de o Partido Comunista ter anunciado um plano de reformas econômicas com as quais Raúl Castro pretende ''atualizar'' o modelo socialista do país.

O plano de reformas, aprovado durante o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, ainda não foi detalhado. Porém, se implementado na íntegra, significará uma mudança sem precedentes desde a tomada de poder pelos revolucionários comandados por Fidel Castro, em 1959.

O documento original continha 291 itens mas foi modificado em 68%, segundo Raúl.

Acredita-se que entre as medidas aprovadas esteja a permissão para que, pela primeira vez desde a Revolução, cubanos possam comprar e vender imóveis. Até agora, só era permitido passar propriedades para os filhos ou trocá-las através de um sistema complicado e muitas vezes corrupto.

No texto original também estavam previstas mudanças inéditas como a permissão para o funcionamento de empresas de capital misto, fim de subsídios na área social como a “libreta de abastecimento”, além de uma reformulação do conceito de socialismo que abre mão do igualitarismo em função da igualdade de oportunidades e direitos.

O documento deve ser publicado nesta terça-feira e, segundo a resolução da comissão, defende a adoção de medidas de mercado para a manutenção do sistema socialista da ilha.

O texto foi aprovado pela comissão de política econômica e social, presidida pelo ex-ministro das Finanças e principal mentor das mudanças, Mariano Murillo, um dos nomes emergentes na política cubana.

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