Fidel Castro presenteou Dilma com biografia inédita

Presente foi entregue em encontro em retribuição à caixa de chocolates brasileiros dada pela presidenta

iG São Paulo |

O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, presenteou a presidenta Dilma Rousseff com dois volumes de sua biografia ainda inédita durante um encontro entre os dois na segunda-feira.

Em Cuba: Dilma diz que violações de direitos humanos ocorrem em todos os países

O presente foi uma retribuição à caixa de chocolates brasileiros que Dilma lhe entregou no encontro de uma hora e meia que ambos tiveram na segunda-feira em Havana, segundo o relato do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

Em um dos volumes da biografia, Fidel escreveu uma dedicatória para Dilma, disse Garcia em declarações ao jornal Correio Braziliense. Os livros fazem parte de uma biografia de Fidel Castro escrita pela jornalista cubana Katiuska Blanco e que conta com vários volumes.

De acordo com Garcia, na reunião, último compromisso da visita oficial de dois dias que Dilma fez a Cuba , ambos conversaram sobre política, as relações entre os dois países e a saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . "Fidel perguntou por Lula e lhe mandou um abraço", comentou Garcia.

Segundo o assessor, Castro mostrou ter conhecimento da história da presidenta brasileira e até disse que a governante era mais alta do que ele pensava. "Ele havia lido uma parte de um livro sobre Dilma", acrescentou.

Dilma contou que esteve ao lado do líder da revolução cubana em uma visita que fez a Havana em 1982 para participar de um congresso de economistas, "mas claro que ele não se lembrava dela", declarou García.

O assessor acrescentou que no encontro informal também foram abordados os acordos de cooperação entre ambos países, incluindo as obras de expansão do porto de Mariel financiadas com recursos brasileiros.

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Na visita à ilha, Dilma anunciou, durante encontro com o presidente Raúl Castro, o Brasil vai abrir uma linha de crédito de US$ 350 milhões para financiar a compra de alimentos por Cuba.

Ela também condenou o bloqueio econômico imposto ao país. Segundo a presidenta brasileira, a melhor forma de o Brasil ajudar o país caribenho é furar esse bloqueio e continuar investindo em parcerias que também são estratégicas para o Brasil.

A visita oficial da presidenta brasileira à ilha era cercada de expectativa sobre seu posicionamento em relação às liberdades individuais, principalmente por parte de dissidentes do regime comunista no país.

Dilma afirmou que não se pode tratar de direitos humanos como ferramenta para criticar apenas certos países. "O mundo precisa se comprometer em geral. Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de interesse político e ideológico. O mundo precisa se convencer que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso", disse a presidenta.

Dilma afirmou que desrespeitos aos direitos humanos ocorrem em todas as nações, inclusive no Brasil, e citou como exemplo as violações denunciadas na base americana de Guantánamo.

"Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral", disse a presidenta, em coletiva de imprensa.

"Não podemos achar que direitos humanos é uma pedra que você joga só de um lado para o outro. Ela serve para nós também."

Com EFE

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