Fidel Castro divulga mensagem de espião libertado nos EUA

René González, um dos chamados 'Cinco Cubanos', afirmou que servir ao governo castrista é 'uma honra'

iG São Paulo |

AFP
René González fala ao celular depois de sair da prisão Marianna, na Flórida (7/10)
O ex-presidente de Cuba Fidel Castro divulgou nesta terça-feira uma mensagem enviada pelo agente cubano René González, recentemente libertado nos Estados Unidos após 13 anos de prisão por espionagem. De acordo com o texto, González, um dos chamados "Cinco Cubanos", se declara pronto para qualquer nova missão que lhe for ordenada.

"Para mim, é um prazer enorme enviar essa mensagem que vai por essa via, porque sei que nos abraçaremos finalmente", afirma González, segundo mensagem divulgada dentro de um artigo de Fidel intitulado A Vontade de Aço. "Para nós, é uma honra servir à causa que você inspirou no povo de Cuba", diz. "Eu digo a Fidel e Raúl: comandantes, os dois, ordenem!", afirma, por fim.

René González, acusado com outros quatro companheiros de espionagem e presos nos EUA em 1998, foi libertado no dia 7 de outubro da prisão federal Marianna, no noroeste da Flórida. Os cinco agentes foram julgados por pertencer à Rede Avispa, um grupo de mais de 40 membros da inteligência cubana e colaboradores que operavam no sul da Flórida. Outros cinco acusados conseguiram acordos judiciais e outros voltaram para Cuba.

O grupo cubano espionava os exilados anticastristas em Miami que planejavam ações terroristas contra o regime. Exemplo dessas ações foi a bomba colocada em um avião de Cuba que deixou cinco mortos. Até hoje, os responsáveis pelo ataque estão livres nos EUA.

González recebeu a condenação mais baixa entre os cinco, 15 anos - 13 na prisão -, e foi detido em 1998 com Geraldo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e Fernando González, condenados em Miami em 2001.

Após apelações, em 2009 a condenação de prisão perpétua para Labañino diminuiu para 30 anos, e de 19 para 18 anos para Fernando González. Guerrero teve sua pena perpétua trocada para 22 anos, enquanto Hernández tem duas penas de prisão perpétua mais 15 anos.

Como tem dupla cidadania - americana e cubana -, González ainda precisa passar três anos em liberdade supervisionada nos EUA antes de pode voltar para Cuba. Ele foi levado para um local desconhecido que seu advogado se recusou a revelar por questões de segurança.

O governo comunista cubano e a família e amigos de González exigem que ele tenha permissão de retornar imediatamente para Cuba. Eles afirmam que a segurança dele nos EUA pode estar em risco de possíveis represálias por parte de cubanos exilados que eram espionados por ele.

Cuba considera os cinco espiões presos como heróis, e tem promovido uma campanha internacional pela libertação deles. Havana argumenta que González e seus companheiros agentes trabalhavam disfarçados na Flórida para acabar com ataques "terroristas" a Cuba por exilados cubanos linha dura anticomunistas.

O caso dos cinco dificulta ainda mais as já complicadas relações entre cubanos e americanos, que se deterioraram mais desde a prisão em Cuba do americano Alan Gross, condenado por tentar instalar conexões de internet em Cuba. Ele foi sentenciado em março a 15 anos por um tribunal cubano.

Com AFP

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