Rene González é o primeiro a ser solto dos chamados 'Cinco Cubanos', agentes de espionagem vistos como heróis em Cuba

Um espião cubano condenado por se infiltrar em uma organização de exilados cubanos na Flórida foi solto de uma prisão federal nos EUA na manhã desta sexta-feira, após ter cumprido 13 anos de sua pena de 15 anos, informou o advogado dele.

Em Havana, homem em charrete passa em frente de cartaz que pede a libertação de agentes de inteligência de Cuba presos nos EUA, popularmente chamados de 'Cinco Cubanos'
AP
Em Havana, homem em charrete passa em frente de cartaz que pede a libertação de agentes de inteligência de Cuba presos nos EUA, popularmente chamados de 'Cinco Cubanos'
Rene González, o primeiro a ser solto dos chamados "Cinco Cubanos" - agentes de espionagem presos nos EUA em 1998 - deixou a prisão de Marianna, no noroeste da Flórida, por volta das 5h (horário de Brasília) e reencontrou suas duas filhas, o pai e o irmão, disse o advogado Philip Horowitz è Reuters.

Gonzáles recebeu a condenação mais baixa entre os cinco, 15 anos - 13 na prisão. Ele foi detido com Geraldo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e Fernando Gonzáles, condenados em Miami em 2001 por espionagem. Os cinco agentes foram julgados por pertencer à Red Avispa, um grupo de mais de 40 agentes da inteligência cubana e colaboradores que operavam no sul da Flórida.

Após apelações, em 2009 a condenação de prisão perpétua para Labañino diminuiu para 30 anos, e de 19 para 18 anos para Fernando González. Guerrero teve sua pena perpétua trocada para 22 anos, enquanto Hernández tem duas penas de prisão perpétua mais 15 anos.

Como tem dupla cidadania - americana e cubana -, Gonzáles ainda precisa passar três anos em liberdade supervisionada nos EUA antes de pode voltar para Cuba. Ele foi levado para um local desconhecido que Horowitz se recusou a revelar por questões de segurança. "Ele estava animado, muito feliz de ver sua família", afirmou Horowitz, acrescentando que ele renovaria a apelação contra a exigência de que González passe a condicional nos EUA.

O governo comunista cubano e a família e amigos de González exigem que ele tenha permissão de retornar imediatamente para Cuba. Eles afirmam que a segurança dele nos EUA pode estar em risco de possíveis represálias por parte de cubanos exilados que eram espionados por ele.

Cuba considera os cinco espiões presos como heróis, e tem promovido uma campanha internacional pela libertação deles. Havana argumenta que González e seus companheiros agentes trabalhavam disfarçados na Flórida para acabar com ataques "terroristas" a Cuba por exilados cubanos linha dura anticomunistas.

O caso dos cinco dificulta ainda mais as já complicadas relações entre cubanos e americanos, que se deterioraram mais desde a prisão em Cuba do americano Alan Gross, condenado por tentar instalar conexões de internet em Cuba. Ele foi sentenciado em março a 15 anos por um tribunal cubano.

*Reuters e AFP

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