Governo desmente versão da dissidência que afirma que Wilam Villar morreu após greve de fome de cerca de 50 dias

Fotografia dada pela Unión Patriótica de Cuba (UNPACU) mostra Wilman Villar
EFE
Fotografia dada pela Unión Patriótica de Cuba (UNPACU) mostra Wilman Villar
Cuba classificou de "cinismo colossal" a condenação dos Estados Unidos pela morte do preso político cubano Wilam Villar . As declarações, segundo disse uma funcionária de alto escalão, "impressionam por sua hipocrisia e duplos padrões".

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"As declarações do Departamento de Estado e da Casa Branca constituem mais uma mostra da permanente política de agressão e ingerência nos assuntos internos de Cuba e impressionam por sua hipocrisia e duplos padrões", disse Josefina Vidal, diretora para a América do Norte da chancelaria local, em um comunicado divulgado à imprensa.

Villar, um opositor preso de 31 anos, morreu na quinta-feira em Santiago de Cuba após uma greve de fome de cerca de 50 dias, segundo a dissidência. Um comunicado da Casa Branca emitido na sexta-feira afirmou que "o falecimento desnecessário de Villar ressalta a repressão permanente contra o povo cubano e os infortúnios encarados pelos indivíduos valentes que defendem os direitos universais de todos os cubanos".

"Os pensamentos e orações do Presidente (Barack) Obama estão com a esposa, a família e os amigos de Wilam Villar, um jovem e valente defensor dos direitos humanos e das liberdades fundamentais em Cuba", disse o texto de Washington.

O governo negou que Villar fosse um "dissidente" e denunciou uma campanha "difamatória", em uma nota informativa oficial. "Cuba lamenta a morte de qualquer ser humano; condena energicamente as grosseiras manipulações de nossos inimigos, e saberá desmontar essa nova agressão com a verdade e a firmeza que caracteriza nosso povo", declarou governo da ilha em seu comunicado.

Segundo as autoridades cubanas, Villar foi preso em 25 de novembro por desacato, atentado e resistência durante "um escândalo público no qual agrediu e provocou lesões no rosto de sua esposa, pelo que sua sogra solicitou a intervenção das autoridades e dos agentes da Polícia Nacional Revolucionária (PNR), que também foram agredidos".

Após "ter cometido esse delito, Villar foi processado em liberdade e começou a ter contato com elementos contra-revolucionários em Santiago de Cuba, que fizeram-no crer que seu suposto vínculo com esses grupos de mercenários permitiria a ele escapar da ação da Justiça", acrescenta a nota.

Sobre as causas da morte de Villar, o governo indica que em 13 de janeiro o preso foi levado com urgência da penitenciária de Aguadores, na província de Santiago de Cuba, ao hospital Santiago Lora "depois de apresentar sintomas de uma pneumonia severa no pulmão esquerdo".

De acordo com o Executivo, no centro médico Villar recebeu "todas as atenções para este tipo de doença, entre elas ventilação e nutrição artificial, hemoderivados, drogas vasoativas e antibióticos de última geração".

A nota explica ainda que Villar foi levado posteriormente ao hospital Juan Bruno Zayas, definido pelo Executivo como um dos "centros hospitalares de maior nível na região oriental". De acordo com a versão oficial, Wilam Villar morreu na tarde de quinta-feira após "falha múltipla dos órgãos decorrente de um processo respiratório séptico severo".

"Seus familiares mais próximos estiveram ao corrente de todos os procedimentos empregados em seu atendimento médico, além de reconhecer o esforço da equipe de especialistas que o atendeu", indica a nota oficial.

Com EFE e AFP

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