Jornalista cubana queria vir ao País para participar de festival na Bahia; Brasil lhe havia concedido visto de turista

A jornalista e blogueira cubana Yoani Sánchez anunciou nesta sexta-feira, em seu perfil no Twitter, que seu pedido de permissão de deixar a ilha para uma viagem ao Brasil foi rejeitado pelo governo cubano. "Não há surpresas. Essa é a 19ª vez em que violam meu direito de entrar e sair de meu país", afirmou.

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Blogueira cubana Yoani Sánchez anuncia no Twitter que governo cubana rejeitou seu pedido para viajar ao Brasil
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Blogueira cubana Yoani Sánchez anuncia no Twitter que governo cubana rejeitou seu pedido para viajar ao Brasil
A blogueira queria sair da Ilha por ter sido convidada a participar de um festival na cidade de Jequié, a 360 km de Salvador, para assistir ao filme "Conexão Cuba Honduras" em 10 de fevereiro. Dirigido pelo brasileiro Carlos Galvão da Silva, a produção conta a história de blogueiros cubanos e hondurenhos perseguidos pelos governos de seus países.

Yoani disse ter recebido uma carta convite no início do ano e a apresentado às autoridades cubanas como parte dos trâmites burocráticos para poder viajar. Em 25 de janeiro, o governo brasileiro concedeu um visto de turista à dissidente .

Antes da concessão do visto, Yoani enviou uma carta à presidenta Dilma Rousseff pedindo a intervenção ante o governo de Havana para conseguir a permissão para sair da Ilha. Recentemente, a blogueira divulgou um vídeo na internet dirigido a Dilma pedindo que intercedesse por ela perante o presidente cubano, Raúl Castro, para que obtivesse permissão para deixar o país.

No dia 31, Dilma fez sua primeira visita oficial a Cuba, onde afirmou que o Brasil agiu de forma adequada ao conceder o visto de entrada à dissidente cubana. Ela, porém, fez a ressalva de que era uma questão interna de Cuba decidir se Yoani teria permissão de deixar o país caribenho. "O Brasil deu o visto à blogueira. O resto não é uma questão do governo brasileiro", afirmou.

A líder brasileira também evitou fazer críticas à situação de direitos humanos na ilha, afirmando que todos os países têm um " telhado de vidro ". Segundo Dilma, não se pode tratar de direitos humanos como ferramenta para criticar apenas certos países.

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Dilma afirmou que desrespeitos aos direitos humanos ocorrem em todas as nações, inclusive no Brasil, e citou como exemplo as violações denunciadas na base americana de Guantánamo . "Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral", disse a presidenta.

Além de encontrar-se com o presidente Raúl, Dilma reuniu-se em Cuba com o líder da Revolução Cubana de 1959, o ex-presidente Fidel Castro, de quem recebeu de presente uma biografia inédita .

*Com AP, EFE e AFP

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