Cuba elogia decisão de Obama de reduzir restrições de viagem

Para governo, medida marca derrota de conservadores dos EUA; flexibilização também se refere a transferências bancárias

iG São Paulo |

The New York Times
Uma das maiores promessas de Obama durante a campanha eleitoral, a reforma de saúde corre o risco de ir por água abaixo (22/12/2010)
As medidas do presidente americano, Barack Obama, para diminuir as restrições contra Cuba não são uma grande mudança de política, mas marcam uma derrota para aqueles que querem uma linha-dura contra a liderança da ilha, disse o governo cubano em seu site oficial.

A declaração foi feita um dia depois de o líder dos EUA emitir uma ordem executiva diminuindo as limitações contra viagens e transferências bancárias dos Estados Unidos à nação caribenha, aumentando os esforços para estender a mão à população.

Na primeira reação do governo cubano, o site www.cubadebate.cu disse que a medida indicava que muitas pessoas nos EUA eram a favor de amenizar o embargo comercial e a política de isolamento, impostas há décadas por Washington contra a ilha.

Segundo a declaração, o afrouxamento das restrições era um golpe para a nova líder da Comissão de Assuntos Estrangeiros da Câmara dos Deputados, a republicana nascida em Cuba, Ileana Ros-Lehtinen. "A decisão é a primeira derrota de Ros-Lehtinen, que assumiu seu cargo no Congresso prometendo endurecer as políticas contra a ilha", dizia o artigo publicado na noite de sexta-feira.

Depois da decisão de Obama, americanos que desejarem viajar a Cuba por motivos religiosos, acadêmicos, culturais ou esportivos poderão fazê-lo com mais facilidade. Todos os aeroportos internacionais nos EUA serão autorizados a oferecer voos a Cuba, desde que tenham os serviços adequados de alfândega e migração. Atualmente, apenas Miami, Nova York e Los Angeles voam para Havana.

Qualquer americano poderá enviar dinheiro a Cuba, até o limite de US$ 500 por trimestre, para apoiar atividades econômicas privadas, exceto para beneficiar altos funcionários do governo ou do Partido Comunista.

Até o momento, apenas cubano-americanos podiam enviar dinheiro à Ilha. As medidas devolvem aos EUA praticamente a situação vigente no final da presidência do democrata Bill Clinton (1993-2001).

"A iniciativa aumentará o contato entre os povos e servirá de apoio à sociedade civil em Cuba, além de melhorar o livre fluxo de informação para os cubanos, contribuindo para promover sua independência", explicou o comunicado oficial.

As viagens e remessas a Cuba foram restringidas substancialmente sob a presidência de George W. Bush (2001-2009). Pouco depois de assumir o poder, em 2009, Obama anunciou uma primeira flexibilização em favor dos cubanos-americanos.

Além de ampliar as permissões de viagens e remessas, Obama chegou a permitir vendas, sob condições, de material de telecomunicação à Ilha. A nova série de medidas não afeta, no essencial, as formas do embargo comercial em vigor desde 1962.

Os americanos, por exemplo, não poderão viajar por lazer a Havana - não existem relações diplomáticas entre os dois governos. As medidas foram criticadas pela nova maioria republicana na Câmara de Representantes.

*Com Reuters e AFP

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