Brasil abrirá linha para compra de alimentos por Cuba

Em Cuba, Dilma criticou o embargo econômico contra a ilha e disse que não é correto o 'bloqueio de alimentos para um povo'

iG São Paulo |

O Brasil vai abrir uma linha de crédito de US$ 350 milhões para financiar a compra de alimentos por Cuba. Os recursos, através do Programa de Financiamento à Exportação (ProEx), representam a maior parte dos US$ 523 milhões que a presidenta Dilma Rousseff trouxe nessa sua primeira viagem à ilha.

Leia também: Dilma diz que violações de direitos humanos ocorrem em todos os países

Roberto Stuckert Filho/Presidência da República
Em sua primeira visita oficial a Cuba, presidenta Dilma Rousseff se reúne com o presidente Raúl Castro

Esgotados pela falta de produção interna - importam 80% dos que consomem - os cubanos precisam hoje de recursos para comprar café, soja e, em alguns casos, até mesmo o açúcar dos quais já foram um dos maiores produtores mundiais. Os US$ 350 milhões representam quase quatro vezes o que Cuba consegue obter em um ano com exportações para o Brasil.

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"Eu acredito que a grande contribuição que podemos dar aqui é ajudar a desenvolver todo o processo econômico. O Brasil hoje participa de várias iniciativas que eu considero importantes. A primeira é uma política de alimentos. É impossível se considerar que é correto o bloqueio de alimentos para um povo", afirmou a presidente, referindo-se ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há 50 anos.

O governo brasileiro abriu também outra linha de crédito de US$ 200 milhões, através da Câmara de Comércio Exterior (Camex), para o programa Mais Alimentos, que permite a compra de equipamentos e insumos para a agricultura, como tratores, colheitadeiras. Para este ano, já foram liberados US$ 70 milhões. Outros US$ 230 milhões, também pela Camex, são a última parcela do financiamento do Porto de Mariel.

No total, Cuba tem um crédito de US$ 1,37 bilhão com o Brasil. A maior parte disso se refere aos US$ 683 milhões garantidos para o pagamento da empreiteira Odebrecht, que constrói o porto de Mariel.

O empreendimento inclui uma "zona especial de desenvolvimento" de 400 km², que abrigará indústrias voltadas à exportação. "Trata-se de um sistema logístico de exportações de bens", disse.

"Achamos fundamental que aqui se crie condições de sustentabilidade para o desenvolvimento do povo cubano", disse a presidenta. "Nós estamos fazendo aqui uma parceria através desses projetos que eu acredito que vai levar para Brasil e Cuba um processo de desenvolvimento. É essa a contribuição que podemos dar".

Direitos Humanos

Mais cedo, Dilma disse que não se pode tratar de direitos humanos como ferramenta para criticar apenas certos países . "O mundo precisa se comprometer em geral. Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de interesse político e ideológico. O mundo precisa se convencer que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso", disse a presidenta.

A visita oficial da presidenta brasileira à ilha caribenha vem sendo cercada de expectativa sobre seu posicionamento em relação às liberdades individuais, principalmente por parte de dissidentes do regime comunista no país.

Na segunda-feira, dissidentes cubanos chegaram a dizer que não esperavam que a presidenta fosse interceder junto ao governo de Cuba sobre as questões relativas à liberdade de expressão.

O posicionamento de Dilma diante do tema, no entanto, vem sendo esperado pela blogueira cubana Yoani Sanchez, que enviou uma carta à presidenta pedindo sua interferência para que ela consiga permissão do governo cubano para deixar o país e viajar ao Brasil.

Com Agência Estado, Agência Brasil e BBC

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